Os Paralamas e uma vida

Paralamas na Torre, ontem. foto: Karina Cardoso

Esse relato vai ser pessoal e intransferível. Poderia fazer no meu blog de coisas pessoais, mas como o assunto é música e música é assunto deste blog, então vai ser aqui mesmo. O fato é que os Paralamas do Sucesso tocaram na capital, na noite deste domingo, e me mostraram o quanto um grupo pode fazer a trilha sonora da vida de uma pessoa.

O ano é 1989, e eu tinha só cinco anos. E “Lanterna dos Afogados”, lançada naquele ano e hino da vida de muita gente, já impactava nos meus ouvidos então muito pequenos. Faixa 9 do disco Big Bang e dos poucos grandes sucessos daquele bolachão.

Final de 1996, sete anos após, eu com 12, começava a me interessar de verdade por música e saber quem canta, comprar CDs e etc. O hit do verão na Beira Mar FM, extinta rádio de maior sucesso do litoral norte de São Paulo – onde passei quase todas as férias da minha vida, na casa de meu pai – era La Bella Luna. “A noite passada você veio me ver”…

O verão seguinte seria o melhor. Depois de um 1997 embalado pelo sucesso de Lourinha Bombril, o toque um pouco romântico de “Busca Vida” trilharia um namorico adolescente com a Polyana, minha primeira paixãozinha. Amor adolescente de verão com longa distância, já que eu ainda morava em Minas e ela, em São José dos Campos (SP). A tentativa de mantê-lo por correspondência seria frustrada, mas o som dos hits do álbum Hey Na Na (de 98), “O amor não sabe esperar” e “Ela disse adeus” daria o tom de fossa.

No fim daquele ano, eu me tornaria um fã inveterado de Legião Urbana. É, descobri quem cantava aquelas músicas tão conhecidas que eu jamais havia prestado atenção só após dois anos da morte de Renato Russo. Na carona, viriam Titãs, Kid Abelha, Ultraje, Ira! e, claro, Paralamas.

Era o tempo dos videokês. Eu morava em Alfenas (MG) e fazia teatro com a Clarissa Veiga, que hoje é cantora do grupo Txai. E nossa maior diversão era gastar fichas (era tipo uma jukebox karaokenta) para cantar “Meu Erro” – onze anos após o lançamento da mesma, no disco D (1987).

1999 era o penúltimo ano da década e os Paralamas fariam com que eu e a molecada adolescente vibrasse com o ótimo Acústico MTV, retomando todos os sucessos da carreira e fazendo uma excelente homenagem a Renato Russo, com uma versão de “Que país é esse?”. Eu não tinha grana pra comprar CDs, então ligava na Atenas FM (a 105 de Alfenas) enchendo o saco e inventando história pra eles terem dó e tocarem “La Bela Luna”, pois queria ter essa música pra mim – e gravá-la em K7, da rádio, era praxe.

A virada da década, de 2000 para 2001, marcaria minha vinda pra Brasília. E foi quando comprei o meu primeiro CD dos Paralamas, o Arquivo II, reunindo os sucessos da década que terminava. Nele, além das mencionadas, “Trac-trac”, “Uma brasileira” e a inédita “Aonde quer que eu vá”, que estava na trilha da novela “Um anjo caiu do céu”. Minha família inteira assistia, religiosamente, às 19h20 – sabíamos o horário exato do início, e na época era esse.

Além disso, foi em 2001 o acidente de ultraleve com Herbert Viana e sua esposa. Era um tempo em que a internet ainda estava incipiente e o jeito de matar a saudade de quem tinha ficado onde eu morava era escrevendo cartas. Em uma delas, meu melhor amigo dizia que temia que a amizade acabasse, como a vida do Herbert, que provavelmente estaria morto quando eu tivesse respondido e ele me escrevesse de novo. A sobrevivência dele mostrou que não, a amizade não acabaria só por causa da distância. É bem verdade que hoje mal temos contato, mas… Adolescentes…

O primeiro show que eu iria deles seria o que relatei por aqui, em 2008. Mais de 10 anos após eu passar a considerá-los minha banda favorita. Favorita? É, por muito tempo foi. De um tempo pra cá, tornou-se Nenhum de Nós. Mas ontem, ali na Torre de TV, com os Paralamas tocando toda a trilha sonora de uma vida, eu vi que não, não é o Nenhum de Nós. São os sucessos de uma banda sem para-lamas para contê-los que lideram no meu ranking musical.

Um show maravilhoso, gratuito, no centro de Brasília, para criar mais uma marca na minha vida: foi o primeiro do meu filho, de dois anos. Brindado com um “gotei” dele, quando perguntamos se ele havia curtido.

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2 pensamentos sobre “Os Paralamas e uma vida

  1. Morillo!!!! Sabe que eu fiquei pensando um tempo se deveria ir ver o Paralamas ontem? Mas acabei dedicando a noite a Franca vs. Brasília. Pena que perdemos essa.
    Saudade de você. Devidamente alimentada pela leitura constante do blog!

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