Musicoterapia: Pop-dance infundido melódico e rock

Foster the people - foto: Zigzag the Bobcat, no Flickr

Foster the people - foto: Zigzag the Bobcat, no Flickr

Por Daniella Jinkings*

Você já está preparado para o Lollapalooza? Conhece outras atrações do Line Up, fora as famosas? Se a resposta foi não, corra, porque o festival já está chegando e a quantidade de bandas que vão tocar no evento mais bombante do ano é enorme. O bom é que tem música para todos os gostos.

Decidi ir ao festival por causa do Foo Fighters e da Joan Jett! Mas para não parecer um peixe fora d’água, resolvi conhecer algumas outras bandas. Foi então que eu descobri o Foster the People, meu novo vício musical (rsrsrsrs).

Foster the People é uma banda de indie rock de Los Angeles, formada em 2009. Tem apenas três membros: Mark Foster nos teclados, guitarras e vocais; Mark Pontius na bateria; e Cubbie Fink no baixo. As músicas são bem legais e eles são bem bonitinhos. O texto do Wikipédia descreve a música da banda como “pop-dance infundido melódico e rock”. Oi, né! Fiquei rindo umas duas horas dessa descrição.

Em janeiro, a banda recebeu duas indicações ao Grammy, por Melhor Álbum Alternativo e Melhor Performance de Dupla/Grupo POP, não ganhou nada, mas ser indicado já mostra um reconhecimento.

A música que me prendeu foi Pumped Up Kicks, sucesso em várias rádios pelo mundo. Escutei pela primeira vez na festa de uma amiga, depois descobri que outra amiga era louca pela banda! O.o! Foi ela quem me instigou a ouvir o CD completo. Realmente, não me arrependi. Vale a pena ouvir o CD Tourches e os singles Helena Beat, Call It What You Want, Don’t Stop e Houdini.

Além de tocarem no Lollapalooza no dia 8 de abril, a banda também tem shows marcados no Circo Voador, no Rio de Janeiro (4 de abril) e no Cine Joia, em São Paulo (5 de abril). Dizem que o show é animado, vamos ver!

Como o Morillo disse que não tem medo de lobo mau, aqui vai o clipe da banda:

PS: O desafio que o senhor Morillo Carvalho propôs semana passada foi aceito! Aguardem as próximas colunas!

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*Daniella Jinkings é jornalista, escreve toda quarta-feira o Musicoterapia para este blog e fica fuçando o Youtube em todo o resto de seu tempo livre, só pra descobrir coisas legais. E descobre, quase o tempo todo. Além de coisas toscas, como a dancinha do Chaves, sobre a qual falei na semana passada, bem aqui.

Não falei…

“Tô me acostumando a passar raiva fazendo a divulgação da agenda gratuita, dada a desorganização de nossa Secretaria de Cultura, que limita ingressos, sempre dá chabú”. Disse isso no último post desse blog, na quinta passada. Reitero. Adivinha só: aquele evento que divulguei na terça passada, o Bregalândia, que seria realizado em Ceilândia, entre o fim desse mês e o começo de abril… foi cancelado!

A Edilane Produções, responsável pela realização do evento, divulgou nota oficil informando público, patrocinadores, apoiadores e imprensa, que o cancelamento foi devido ao contingenciamento de recursos públicos, tanto no governo do DF, quanto no federal.

O Bregalândia seria parte das comemorações dos 41 anos de Ceilândia, com recursos da Administração da cidade e da Secretaria de Cultura do DF. A Edilane informou que continuará com o propósito de executar o projeto, ainda esse ano.

Agora: vontade zero de falar sobre cultura de graça em Brasília. Bom dia pra você.

Mais ardida que pimenta…

Felicidades a todas as mulheres! Hoje não é pra ser o único dia de respeito, admiração e carinho para com vocês, mas é o dia que marca que a luta é árdua, mas vale a pena. Vou brindar a vocês, que não conseguiram o ingresso pra Maria Bethânia, que toca de graça hoje em Brasília, com a Elis Regina.

Bethânia e Elis, pelo que já pûde conhecer de suas biografias, nem eram lá muito fãs uma da outra. O fato é que hoje tem show da Bethânia, de graça, no Centro de Convenções – um afago do governo local ao Dia Internacional da Mulher. Como soube de última hora, nem divulguei. Tô me acostumando a passar raiva fazendo a divulgação da agenda gratuita, dada a desorganização de nossa Secretaria de Cultura, que limita ingressos, sempre dá chabú. Mas, se você conseguiu o ingresso, parabéns e divirta-se!

Eu, para homenageá-las, vou colocar aqui um vídeo com aquela que foi um desafeto de Bethânia, a Elis Regina. Pra mim (pra muitos, na verdade), a melhor intérprete brasileira de todos os tempos. Cantando com a melhor cantora brasileira viva: Rita Lee:

Sim, estou me arriscando ao embedar esse vídeo. Não pago e pronto. Se tentarem me cobrar, vou até a própria Rita Lee saber o que ela acha da cobrança.

Chaves: #todosama

foto: Edvill, no Flickr

foto: Edvill, no Flickr

Tão certo quanto dois é dois são quatro é que se você tem entre 25 e 35 anos, você dançou É o Tchan, passou muitas manhãs vendo desenho animado na Xuxa e assitiu a todos, ou quase todos, os episódios de Chaves. É fato, e contra fatos não há argumentos. O seriado, que é recorde em exibições no país, começou a ser veiculado no Brasil em 1982, enquanto que no México, o primeiro episódio foi ao ar há 40 anos.

O fato é que tem como não amar não. Chaves já foi objeto de estudo do então estudante de jornalismo Paulo Franco, que lançou, em seu trabalho de conclusão de curso, um livro reportagem chamado “Chaves: foi sem querer, querendo?”, em que se debruça a estudar o seriado como fenômeno de mídia de massa.

No livro, há trechos que revelam que o Chaves é a menina dos olhos do SBT – um episódio clássico foi quando Ana Maria Braga iria estrear na Globo, em 1999, no horário do almoço. À época, o SBT corria para se consolidar no segundo lugar de audiência e tentava conquistar a liderança. Só que não havia plano na casa para a estréia de Ana Maria, e a direção acreditava na bancarrota no horário. “Coloque o Chaves”, foi a determinação de Sílvio Santos, e o seriado ganhou a liderança nas duas semanas de estréia do Mais Você.

O fato é que “todos ama” o Chaves. E para festejar, algumas ações legais vem ocorrendo desde o mês passado. A primeira: a disponibilização de todos os 150 episódios dublados em português em um canal específico no Youtube. Eis o link. Não vou postar o vídeo, pois o Ecad pode vir querer me cobrar direitos autorais (oi?).

A segunda, que é a MAIS ENGRAÇADA: a Televisa, emissora mexicana original do Chaves, criou uma coreografia pra geral fazer lipdub, no meio da rua. Garanto risadas a este momento seu, se você dispor de quatro minutos para assistir à versão country-tosca de “Que bonita sua roupa”. Clica aqui. E depois, aqui, pra ver que a GALERA lá no México realmente aderiu à dancinha, em massa.

A terceira, mostra que se o negócio já tá bem ao estilo 2012, no balanço das horas tudo pode piorar (hehe). É que o próprio SBT resolveu lançar a sua dancinha tosca, agora com a versão de “Que bonita sua roupa” em samba. E em fevereiro último, pouquíssimo antes do carnaval, foi a vez dos brasileiros mostrarem seu gingado e dançarem no parque do Ibirapuera! Mas não achei um vídeo com a dancinha em si.

Viva el Chavo!

Musicoterapia: canções para além da vida

Em janeiro, uma das principais cantoras americanas de todos os tempos calou-se para sempre. Etta James foi vítima de uma leucemia terminal. A morte de Etta me fez refletir sobre a safra de cantoras, que como ela, expuseram seus sentimentos, suas dores e suas vidas por meio da música. Será que hoje temos gente que cante o sofrimento de forma tão intensa quanto Etta James, Billie Holiday, Nina Simone, Edith Piaf, e tantas outras de outros tempos?

Etta James estava no limiar entre o soul, o blues e o jazz. Os dramas pessoais que enfrentou desde a infância a levaram ao vício em drogas na década de 1960. Pelo menos duas décadas foram necessárias para que ela conseguisse sair dessa. Além do problema com drogas, ela teve muitos problemas de peso e chegou a fazer shows em uma cadeira de rodas. Após uma cirurgia, perdeu cerca de 90 quilos.

Billie Holiday é outro exemplo de cantora fantástica com vida problemática. Menina americana negra e pobre, Billie passou por todos os sofrimentos possíveis. Foi violentada sexualmente por um vizinho, trabalhou lavando o chão de prostíbulos e até se prostituiu. Na década de 1940, apesar do sucesso, Billie sucumbiu ao álcool e às drogas, passando por momentos de depressão. Morreu após uma overdose.

Não são apenas as cantoras americanas que tiveram uma vida difícil. Edith Piaf, ícone da música francesa, expressava claramente sua trágica história de vida em suas músicas. Piaf tinha saúde frágil e sofreu (muito mesmo) por amor. A cantora de La Vie en Rose, que era viciada em morfina, morreu aos 47 anos.

No Brasil, a cantora Maysa, também conhecida como cantora de fossa, teve sérios problemas com alcoolismo. O efeito de anfetaminas somado à ingestão excessiva de álcool e ao cansaço físico e psicológico que a cantora vinha sofrendo teriam provocado o acidente que a vitimou na ponte Rio-Niterói.

Essas cantoras são exemplos de que o sucesso e o dinheiro não são o principal na vida de uma pessoa. Algumas conseguiram superar seus vícios e traumas, outras sucumbiram. Voltando à pergunta inicial, será que hoje temos alguém que cante, ou melhor, se expresse, dessa forma? Sinceramente, não sei. Acho que a tal “pegada pop” tirou um pouco do sentimentalismo da música. Hoje, tudo tem de ter um apelo comercial.

Acho que quem chegou perto do original foi a finada Amy Winehouse. As música (e os dramas pessoais) expressavam o que ela sentia, ou seja, sua recusa constante a ir à rehab (rsrsrs) e as dores de amor (provocadas pelo marido Blake)! Há também a diva do momento Adele. O público se identificou muito bem com as músicas sobre sofrimento amoroso. Quem nunca cantou o refrão de Someone like you?

Mesmo assim ainda falta algo. As divas do Jazz, Blues e Soul comeram o pão que o diabo amassou, mas conseguiram brilhar e entrar para sempre na história da música. Suas vozes jamais serão esquecidas.

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Em 25 de janeiro, Daniella Jinkings escreveu essa coluna, com seus desabafos sobre a morte de grandes cantoras e as relações delas com o álcool, as drogas e problemas fulminantes enfrentados por elas. Em 11 de fevereiro, morreria Whitney Houston, vítima de causas perturbadoramente desconhecidas até o momento… Resolvi publicar essa coluna agora, do jeito que está, sem revisão. E, sem que ela saiba, lanço agora o desafio: o que ela tem a nos dizer sobre Whitney?

Ao reino de Bregalândia!!

falando em brega... imagem: altovolta, no Flickr

falando em brega... imagem: altovolta, no Flickr

Quem nunca sofreu por uma despedida, uma traição ou um amor não correspondido? Quem não gosta de uma boa dose de romantismo? Quem nunca viveu ou gostaria de viver uma grande paixão? Amor singelo, arrebatador e, muitas vezes, cheio de paixão e carregado de erotismo, como realmente é um grande amor.

Este primeiro parágrafo faz parte do texto de divulgação do Bregalândia, o festival de música brega que rola em Ceilândia, no fim desse mês no Ceilambódromo.

O evento vai reunir Reginaldo Rossi, Preta Gil, Amado Batista, Odair José e outros, e rola entre 30 de março e 1º de abril. Bandas não-bregas como Pedra Letícia tem presença garantida – apesar de que o Pedra gravou uma música ao melhor estilo dor de cotovelo com o Reginaldo Rossi.

O Bregalândia abre um espaço que jamais precisou ser aberto, pois sempre ocupou muito, e talvez por isso a música brega seja tão rejeitada. Quando digo “jamais precisou ser aberto” é porque, se você pegar os grandes vendedores de discos da música brasileira, eles figuram lá. Se você pegar a nossa historiografia da música, eles parecem jamais ter existido, enquanto seus contemporâneos, como Chico Buarque e Milton Nascimento, aparecem com destaque. É assim que funciona o preconceito musical, que neste sentido, não tem nada a ver com o gosto individual.

Então, fica a dica de um evento que parece ser bem legal – no mínimo, divertido. E outras duas dicas: os valorosos livros sobre o tema que ganhei do Paulo Palavra: “Eu não sou cachorro não – Música Popular Cafona e a Ditadura Militar”, de Paulo César Araújo; e “Almanaque da Música Brega”, de Antonio Carlos Cabrera.

Receituário: semana da alma feminina

imagem: honeyjew, no Flickr.

imagem: honeyjew, no Flickr.

É a semana do 8 de março! É a semana da alma feminina! Atrações culturais DF afora pipocam com o tema “mulher”. Neste receituário, um brinde a quem transforma a alma delas em criações do espírito inesquecíveis. Viva (a) mulher! E no receituário da semana, tem ainda Chico Buarque, Carlos Casas e mais:

– VACINA: contra o mau humor. Em cartaz, no Espaço Cultural Brasilina (BR 020, km 2,5 lote 03), a TPMs – Temporada de Palhaças Mulheres. A programação começou ontem, com Madame Dolores, a Grande Cartomante!, com a palhaça Madame Dolores. No dia 8, tem “Cabaré misto”, que promete ser um misto de toda a programação, que segue até 1º de abril, com uma novidade a cada fim de semana. Por exemplo, no próximo, a palhaça Matusquela apresenta o Show/De/ParA/cOm/Ou Mágicas – um verdadeiro show de mágicas com cartas, só que o mágico é uma palhaça. Entrada: R$20 (inteira) e R$10 (meia). + infos: 3045-4434 e 3045-6434.

– PÍLULA: do dia seguinte, e do dia anterior e do mesmo dia. São os filmes da mostra CCBB em cartaz: Mulheres alucinadas. As exibições ocorrem, a partir de hoje, na sala Alberto Nepomuceno do Teatro Nacional e, a partir de amanhã, no Centro Cultural Banco do Brasil. Na primeira sala, clássicos como Mulheres à beira de um ataque de nervos, Thelma e Louise, Bonequinha de Luxo (com Audrey hepburn, em destaque) e Corra, Lola, Corra. No CCBB, Engraçadinha, De Repente no Último Verão e Betty Blue. Tudo 0800.

– DROPS: pra alegrar o dia. O show da paulista Tiê, na Caixa Cultural, vai apresentar músicas como “Pra alegrar o meu dia” e “Você não vale nada”, versão flamenca da música do Calcinha Preta. É amanhã e depois, às 10h, com ingressos a R$20 (inteira) e R$10 (meia).

– MUSICOTERÁPICOS: chicanos. É o show da banda pernambucana Seu Chico, que canta a história musical de Chico Buarque de Hollanda. É no Liberty Mall, sábado, às 23h, a R$30 (inteira) e R$25 com o nome na lista (prime.listabsb@gmail.com).

– COLÍRIOS: finalizantes. Chega a Brasília o Festival Multiplicidade Imagem Som Inusitados, no Instituto Cervantes. De cara, apresenta a exposição “A Trilogia END” sobre o cineasta espanhol Carlos Casas. Uma retrospectiva dos 10 anos de trabalho dele, pesquisando lugares e vidas extremas do planeta. Abre na quarta-feira, às 19h30, com bate-papo.