4 Fevereiro 2026

Do Bizarro ao Blockbuster: O Legado de Tusk e a Nova Batalha do Terror nas Bilheterias

O cinema de terror vive de extremos. Enquanto clássicos cultuados continuam a perturbar novas gerações no streaming, as salas de cinema se preparam para embates inéditos entre diretores consagrados e novas formas de mídia. Para entender essa dualidade, precisamos revisitar uma das obras mais desconfortáveis da A24 e, em seguida, analisar o cenário atual das estreias que prometem agitar o fim de semana.

O trauma inesquecível de Tusk

Lançado em 2014, Tusk permanece como uma cicatriz na filmografia da produtora A24. Dirigido por Kevin Smith, o longa mistura comédia e horror corporal de uma maneira tão única que a premissa, por si só, já é suficiente para afastar os espectadores mais sensíveis. A trama acompanha Wallace Bryton (Justin Long), um podcaster que viaja ao interior do Canadá em busca de histórias curiosas, mas acaba encontrando um destino pior que a morte.

Ao entrevistar Howard Howe (Michael Parks), um marinheiro solitário com histórias fascinantes, Wallace é drogado e submetido a uma série de cirurgias grotescas. O objetivo de Howe é transformar o rapaz em uma morsa humana, recriando uma companhia que ele diz ter tido durante seus anos no mar. O resultado visual e psicológico é perturbador, garantindo ao filme o status de experiência traumática para muitos.

Ficção ou realidade?

A bizarrice da trama levanta dúvidas sobre sua veracidade. Embora a história de um assassino transformando pessoas em morsas seja ficção, a semente da ideia veio de um anúncio real — que, felizmente, era uma pegadinha. Kevin Smith inspirou-se em uma postagem online onde um homem oferecia acomodação gratuita, contanto que o inquilino se vestisse de morsa por duas horas diárias. O autor da brincadeira, Chris Parkinson, acabou sendo contratado como produtor do filme.

Para quem tem coragem de encarar a obra, Tusk não está nos catálogos da Netflix ou Prime Video, mas pode ser encontrado para aluguel digital. Plataformas como Google Play Filmes (R$ 5,90), Prime Video (R$ 6,90) e Apple TV (R$ 11,90) oferecem o título, com a opção de compra definitiva custando a partir de R$ 18,90.

Vale ressaltar que o pesadelo de Wallace não acabou. Kevin Smith já confirmou uma sequência, onde a vítima se torna o algoz: Wallace, completamente transtornado pelo trauma, assumirá o lugar de Howard Howe, buscando transformar outras pessoas em quimeras humanas.

O novo embate nos cinemas: Sam Raimi vs. Internet

Enquanto Tusk domina o nicho do terror bizarro em casa, as bilheterias deste fim de semana preparam um cenário curioso. O retorno de Sam Raimi ao gênero com Send Help parecia ter o caminho livre para o topo, impulsionado por críticas excelentes e o protagonismo de Rachel McAdams e Dylan O’Brien. As projeções indicam uma abertura sólida na casa dos US$ 15 milhões.

No entanto, um “elemento surpresa” pode mudar completamente o jogo. Trata-se de Iron Lung, uma adaptação do videogame viral de terror, produzida e financiada de forma independente pelo YouTuber Markiplier. Lançado em cerca de 2.000 salas — um feito notável para um projeto independente —, o filme conta com uma campanha de marketing agressiva e o apoio massivo da comunidade online.

Previsões de Bilheteria

Analistas do mercado apontam que Iron Lung é uma incógnita. Com base no engajamento da Geração Z e no hype das redes sociais, uma abertura de US$ 10 milhões parece ser o piso, não o teto. Se os fãs comparecerem em peso, como sugerem as movimentações online, o filme do YouTuber pode muito bem desbancar o veterano Raimi.

Além da disputa pelo topo, o ranking do fim de semana deve contar com a persistência de grandes franquias e filmes de ação. Confira como deve ficar o cenário das bilheterias:

  • Send Help: US$ 15 milhões (Favorito, mas ameaçado)

  • Iron Lung: US$ 10 milhões (Potencial para surpreender)

  • Avatar: Fire and Ash: US$ 7 milhões (Caindo para a terceira posição)

  • Shelter: US$ 5 milhões (O novo filme de Jason Statham, com desempenho modesto devido à distribuição menor)

  • Zootopia 2: US$ 4 milhões (Fechando o top 5)

Seja revisitando o horror corporal de Tusk no sofá de casa ou apostando na disputa entre o cinema tradicional e a força da internet nas salas de cinema, os fãs do gênero têm um prato cheio pela frente.