4 Fevereiro 2026

A união de gigantes e o retorno às raízes mecânicas

A recente estreia de “Transformers: O Despertar das Feras” marcou um momento decisivo para a franquia dos robôs alienígenas. Embora a recepção da crítica especializada tenha sido morna, com uma aprovação mediana nos agregadores de notas, o público geral abraçou a produção com entusiasmo, garantindo uma avaliação extremamente positiva. O que realmente dominou as conversas pós-créditos, no entanto, não foram apenas as batalhas explosivas, mas uma reviravolta estratégica inserida nos minutos finais: a confirmação de um crossover cinematográfico entre os universos de “Transformers” e “G.I. Joe”.

Essa união de propriedades intelectuais, ambas nascidas como brinquedos de sucesso, foi orquestrada com cautela. Na trama, acompanhamos o protagonista Noah, vivido por Anthony Ramos, em uma busca frustrada por emprego que culmina em uma entrevista peculiar. O recrutador, Agente Burke — interpretado por Michael Kelly —, revela ter conhecimento das batalhas secretas travadas por Noah ao lado dos Autobots e Maximals. Ao oferecer custear as despesas médicas do irmão do herói, Burke entrega um cartão com a insígnia inconfundível dos “G.I. Joe”, selando o destino compartilhado das franquias.

Estratégia e futuro do crossover

Para o produtor Lorenzo di Bonaventura, veterano de ambas as sagas no cinema, a introdução precisava ser orgânica para não alienar os fãs. A intenção não era parecer cínico ou apenas adicionar os “Comandos em Ação” de qualquer maneira. A equipe criativa dedicou tempo ao desenvolvimento dos Maximals primeiro, criando agora a deixa perfeita para introduzir a história dos Joes. Steven Caple Jr., diretor do longa, compartilhou desse sentimento, revelando que, durante as filmagens, seu lado fã já imaginava como a batalha poderia escalar a ponto de exigir a intervenção de outras entidades militares globais.

Embora seja a primeira vez que se encontram na tela grande, a parceria já é velha conhecida dos leitores de quadrinhos desde a década de 1980. A grande questão que paira agora é a natureza dessa relação: aliados ou inimigos? Di Bonaventura admite que a dinâmica exata ainda está sendo descoberta, mas a expectativa é que formem uma aliança para missões conjuntas. O diretor Caple Jr. demonstrou particular entusiasmo em explorar partes inéditas dos Joes, mencionando o potencial de ir além da Terra e trazer personagens que ainda não tiveram seu momento de brilho.

Enquanto o futuro live-action se desenha — com a Paramount também desenvolvendo um novo projeto de G.I. Joe baseado em roteiros anteriores —, a franquia Transformers prepara terreno para a animação “Transformers One” em 2024, focada na origem de Optimus Prime e Megatron. E é justamente na figura do líder dos Autobots que reside outro ponto crucial de conexão com a nostalgia dos fãs: a sua forma veicular.

A identidade visual de um líder

“O Despertar das Feras” não apenas trouxe os G.I. Joe para o jogo, mas também devolveu a Optimus Prime uma silhueta que há muito era requisitada pelos puristas. Para a geração que cresceu assistindo aos desenhos originais na TV, Optimus é sinônimo de um caminhão “cara chata” (cab-over), especificamente um Freightliner 8664 vermelho e azul. Esse veículo tornou-se um ícone de liderança, coragem e confiabilidade, capaz de puxar reboques de combate pesados com a força de motores potentes, como os Cummins ou Detroit Diesel, típicos daquela era.

A trajetória do personagem no cinema, contudo, passou por diversas metamorfoses. Quando a saga estreou em Hollywood em 2007, sob a batuta de Michael Bay, o perfil “cara chata” foi abandonado em favor de um Peterbilt 379. O novo visual ostentava um capô longo, exaustores proeminentes e uma pintura de chamas que definiu a estética do herói por três filmes. Posteriormente, em “A Era da Extinção” e “O Último Cavaleiro”, ele assumiu a forma de um Western Star 5700, mantendo um visual moderno e robusto que, embora impressionante, distanciava-se do design original.

O retorno ao formato clássico no filme de 2023 foi celebrado como uma vitória da nostalgia. É o mesmo sentimento que os fãs nutrem ao ver Bumblebee como um Fusca ou Jazz como um Porsche de corrida. Por mais que as versões modernas e as chamas de Michael Bay tenham marcado uma época e atraído novos espectadores, o caminhão Freightliner dos anos 80 permanece como a representação definitiva do personagem no imaginário popular. Com a volta desse visual clássico e a promessa de missões ao lado dos G.I. Joe, a franquia parece finalmente ter encontrado o equilíbrio entre inovar para o futuro e reverenciar o seu passado.