Os perfumes de Lily…

imagem: Bianca Carvajal (internet)

Karla Lucena

Ouvi dizer certa vez que “meninas boas vão para o céu e as más vão para onde querem”. Na minha vaga interpretação a respeito da frase diria que meninas malvadas vivem mais, e dizendo viver me refiro a toda complexidade embutida dentro de uma vida.

Imagina uma menina tímida, perdida em seu mundo e em um silêncio que às vezes grita, um olhar distante, uma fragilidade vista a olho nu, uma sensualidade sutil, enfim um ser rodeado de mistérios.

Conviver com ela, era quase decifrar a saída de um labirinto.  Saber seus destinos era impossível, mesmo para os mais velhos marinheiros. Ela passava uma noite sob a lua de Paris e um nascer do sol no Japão. As horas na sua vida pareciam não ter minutos, os segundos se passavam como meteoros e junto com eles parte de suas sensações e de seu corpo eram lançados para fora de sua natureza humana.

Ela sonhava com luxo, boa vida e dinheiro, muito dinheiro. Não era ambiciosa, o que a motivava era o tempo, tempos passados… tempos presentes. Por toda a sua vida ela teve o amor. Um amor que feria, machucava e muitas vezes sangrava. Sentia vergonha, mas não abandonava suas origens, apesar de ser flexível a qualquer tipo de costume e realidade. -Continue lendo..

O que ficou resolvido, afinal?

Terminou neste domingo, em Brasília, a 2ª Conferência Nacional de Cultura. Entre os projetos prioritários aprovados, está o que prevê a análise diferenciada de iniciativas culturais que tenham origem na Amazônia. … Morillo Carvalho   Três dias de debates, reunindo 1925 pessoas de todos os estados do Brasil e do Distrito Federal. No final, um documento com 32 propostas prioritárias para as políticas públicas de … Continuar lendo O que ficou resolvido, afinal?

Gula, alta cultura e… putaria

Morillo Carvalho

http://www.flickr.com/photos/marianaclara/1480513187/in/photostream/
foto: Mariana Clara, do Flickr

Acabo de encerrar mais uma sequência de livros. Leio o que está na estante – pois tenho obsessão por leitura e vivo comprando aquém da minha capacidade de ler – e sem critério. E escrevo porque tenho medo de me esquecer. Medo? Sim, medo. Eu não sei como você é, nem o que lê, ou mesmo se lê. Mas te digo que toda vez que eu termino um livro me sinto meio só, órfão daquela história que me acompanhou por dias, por vezes semanas – nunca meses. Aliás, apenas o Saramago esteve comigo por meses. São histórias que me envolvem por um período, a ponto de me sentir parte delas, mas que passam por mim, sem qualquer compromisso de tornarem-se perenes. E nas últimas três semanas, me embrenhei em gula, alta cultura e, só pra variar, em putaria. -Não parece uma balada literária? Então, continue lendo… ->

A Hora de Clarice

Paulo Palavra*

http://www.flickr.com/photos/marianaclara/1480513199/
foto: Mariana Clara, do Flickr

Ler livros pedidos pelo colégio é sempre um saco. Por mais “literato” que você seja, ninguém, entre os 15 e 17 anos, lê A Moreninha por prazer. Eu mesmo, que sempre fui fã de livros, e à época do meu segundo grau já estava mui entretido com as primeiras aventuras de Harry Potter não tinha o menor interesse nas obras indicadas pela escola. Por que trocar todo aquele universo do bruxo adolescente por O Cortiço? Ah, é. Porque tem prova. E é aí que, na minha opinião, começa a chatice das leituras do colégio: a obrigação. -Continue lendo para saber porquê me arrependi->

Livros putos

Morillo Carvalho

http://www.flickr.com/photos/happy-batatinha/4293560909/
foto: Tábata - Happy Batatinha, Flickr

Tenho lido muita putaria ultimamente, sabe? Fui fazer um balanço de minha vida leitora, e cheguei à conclusão que o tema tem sido recorrente entre as minhas preferências literárias. Ok, não é à toa. Busco inspiração para escrever um livro, porque se eu for escrever alguma coisa que preste, tem que ser sobre putaria. E resolvi listar pra vocês algumas indicações dos meus livros putos. -Mas, para ver a lista, só se você continuar a ler…->

Estrelo, nudez e bonecos

Depois de dois protestos de nossos amados leitores, voltamos. Juro que não estávamos fazendo “toba com glicose”, foi um misto de várias coisas que impediu que não trabalhássemos em parte desse mês – a overdose desses drops nos levou a clínicas de recuperação e eu cheguei até a ouvir um pagodinho. Brincadeira! Mas, por hora, continuo sozinho: a essa hora, Ana Luiza Zenker (a outra … Continuar lendo Estrelo, nudez e bonecos

Balança, Cena!

O Cena Contemporânea 2008 se foi. Deixou gostinho de quero mais, saudades e exaustão. Pela última semana, acompanhar o festival internacional de teatro de Brasília tornou-se uma experiência tão intensa e profusiva, as informações eram tantas, tantos eram os formatos, formas e conjuntos de surpresas, que escrever ao fim da noite poderia tornar-se insalubre a uma mente desgastada com tantos confrontos criativos. Participei da Oficina … Continuar lendo Balança, Cena!

Clássico contemporâneo

Édipo, Jocasta, luxúria, pecado, lascividade. Pra lá de conhecida, a obra de Sófocles (Édipo Rei) ganha hoje (1°), em Brasília, contornos mais que sedutores. Lapidada pelo talentoso Hugo Rodas, diretor de renome e que provoca verdadeiro terremoto por essas paragens de cerrado amarelo da seca, a trama ganha vida nos corpos dos igualmente talentosos Adriana Veloso e Thiago Benetti. No palco, a clássica história da … Continuar lendo Clássico contemporâneo

Medo no teatro

Já há alguns dias está em cena o Cena Contemporânea, em Brasília. Não estamos de fora, e vamos contando aqui. Com uma programação extensa, Brasília passa por uma invasão teatral – artistas de tudo que é buraco do país e do mundo estão aqui. Eu (Morillo) faço uma das oficinas: a de Crítica Teatral, com o jornalista e crítico do Correio Sérgio Maggio. Espero aprender … Continuar lendo Medo no teatro

A filha da mulher que queimou sutiã

Algumas Camilas da minha vida: a grande companheira que faz este blog (Camila Coelho), a amiga que fiz em Floripa (Camila Alam), a que faz sucesso na voz do Nenhum de Nós (Camila-haa-wol)… Agora, Camila Jam também faz parte dela. A personagem principal de Nome Próprio, o longa de Murilo Salles que ganhou quatro kikitos em Gramado este ano. É uma personagem apaixonante. Na pele … Continuar lendo A filha da mulher que queimou sutiã

Generosidade de Athos era maior que talento

“Artista eu era. Pioneiro eu fiz-me. Devo a Brasília esse sofrido privilégio. Realmente um privilégio: ser pioneiro”. Esse era Athos Bulcão. Nessa matéria, de novo em primeira mão para o Drops, escrevo um pouco mais sobre a generosidade do artista. Os amigos garantem que ele era mais generoso do que talentoso… Uma perda de valor inestimável, mas na hora certa: não deve haver maior aflição … Continuar lendo Generosidade de Athos era maior que talento

Athos Bulcão: “não sou autodidata. Portinari me deu uma porção de noções”

Ele se foi hoje, aos 90 anos. Quem mora em Brasília, como nós do Drops, sabe o quanto esse artista foi representativo e o quanto sua obra é presente pelos cantos da cidade. Athos Bulcão concedeu em 1991 uma entrevista, guardada no Arquivo Público do DF, que revela a simplicidade do artista. Ele tinha 73 anos na época do depoimento. Ainda bem que julho termina … Continuar lendo Athos Bulcão: “não sou autodidata. Portinari me deu uma porção de noções”