Cores de Almodóvar…

imagem: site da Illy

Karla Lucena

Uma obsessão, um desejo, excentricidade, medo, vingança, descobertas, amores. E o resultado dessa receita: Pedro Almodóvar. Longe de querer resumir esse mestre do cinema a uma palavra, diria que ele poderia ser traduzido a conflitos, pelo menos é essa a impressão que tenho toda vez que assisto a um filme do espanhol.

Los Abrazos Rotos (Abraços partidos) lançado em 2009, carregado de sentimentos impressionistas passa a integrar a lista de filmes expressivos do diretor.

O que mais me intrigou nessa obra foi a vontade de assistir também o outro filme que foi apresentado e rodado ao longo da trama. Mas antes de entrar nesse detalhe, um pouco da sinopse.

Los Abrazos Rotos tem um enredo simples, trata-se de uma mulher linda (vivida por Penélope Cruz) que precisa de dinheiro para ajudar o pai, e aceita casar-se com um homem rico (José Luis Gómez). Logo passa a ter uma vida de luxo desejada por ela, porém condenada a monotonia. Como imaginável, ela se apaixona por outro homem (Lluís Homar) e tenta abandonar sua rotina. Passa a viver encontros proibidos dentro de um triângulo amoroso e convive com a felicidade de uma paixão ardente. Continuar lendo “Cores de Almodóvar…”

Uma apavorante família

foto: Blog dos Malas, no Flickr

Morillo Carvalho

Eu vinha de uma sequência de livros putos, sobre os quais falei um pouco aqui. Daí meio que tava sentindo a necessidade de ampliar os horizontes literários e fui parar na Índia, mais precisamente em Nova Délhi. Lá, encontrei uma família capitaneada pelo Ministro do Desenvolvimento Urbano do país, pai de 13 filhos, quase 14, aliás.

Me vi num caótico casarão abarrotado de crianças, conhecendo meandros da caótica política indiana e entendendo como e porquê o ministro Ahuja, melhor, Rakesh Ahuja, transformava Délhi no mais completo caos viário.

Conheci os meandros do casamento de Rakesh e Sangita, responsável pela geração de 13 filhos. O primeiro filho, Arjun,  foi do casamento anterior (terminado com a morte de sua mãe, a única paixão verdadeira do pai). É ele quem conta praticamente toda aquela história e, como você deve imaginar, ser filho de outro casamento numa família indiana tradicional é um drama, potencializado pela puberdade, que é melodramática em qualquer lugar do mundo (né?). Continuar lendo “Uma apavorante família”

Vagalumes na sala de projeção

imagem: internet

Antônio Trindade

A Segunda Gerra Mundial é um tema recorrente no cinema. Poucos filmes, no entanto, oferecem uma visão diferente do conflito. Nesse aspecto, o anime Hotaru no Haka (Túmulo dos vagalumes), de Isao Takahata, brilha diante da maioria das películas hollywoodianas.

Obra do Estúdio Ghibli, que também assina ótimas produções como A Viagem de Chihiro e o Castelo Animado, o Túmulo dos Vagalumes mostra a história dos irmãos Seita e Setsuko no final da Segunda Guerra. Seita e sua irmã mais nova vivem com a mãe e esperam pelo retorno do pai, convocado para lutar contra os americanos.

O Túmulo dos vagalumes é essencialmente uma história de amadurecimento. No pós-guerra, os japoneses ficaram entregues à própria sorte. A fome era uma inimigo que ainda perturbava a população. O egoísmo e a indiferença eram dois sentimentos recorrentes. E Seita e Setsuko precisam enfrentar tudo isso e continuar vivendo, mesmo que o futuro não pareça muito melhor. Continuar lendo “Vagalumes na sala de projeção”

Então, e o Chico?

foto: Ique Esteves/divulgação Globo Filmes

Mais uma pessoa chega à nossa farmácia, dando seu pitaco sobre o filme do Chico. Boa semana!

Mariana Jungmann

Chico Xavier não é um filme para espíritas. Essa é a marca que deve ficar da produção da Globo Filmes, baseada no livro de Marcel Souto Maior – As Vidas de Chico Xavier. Bom, é verdade que esta que vos fala é um pouco suspeita, posto que sou uma espécie de “espírita iniciante” que conhece pouco da doutrina, mas acredita e se identifica com este pouco que conhece.

Mas independente da minha parca credibilidade, o fato é que o filme é leve e divertido. Mostra a infância complicada de Chico, seus sérios problemas visuais advindos de uma catarata e a dificuldade em lidar com o deboche daqueles que o consideravam louco por falar com “gente que não existe”. Mas o sofrimento não é foco principal e isso faz toda a diferença.

A história é sobre como o personagem-título lidou com seu dom ao longo desta vida. Permeando o enredo, vários episódios engraçadíssimos que envolveram as relações de Chico com o mundo espiritual. Destaque para o personagem de Emmanuel, o guia de Chico superconhecido pelos espíritas e que orientou com rigor e peso jamais imaginado para as mãos de um anjo o comportamento terreno do médium. Bem humorado sem perder a seriedade, o personagem do guia passou longe da ideia de severidade e dureza associada à sua figura entre os crentes da doutrina de Alan Kardec. Continuar lendo “Então, e o Chico?”

Ah, os 50!

Morillo Carvalho Sim, faz dois dias que Brasília fez 50 anos. E pra você não achar que passou completamente incólume essa data tão foda de ser prestigiada, pode clicar aqui e também aqui, pois nós falamos a respeito, obrigado. E como nós fomos pra festa, os textos ficaram meio que de lado… hehe. Vamos lá: Nando Reis, Paralamas e Zélia Duncan, a 0800 na Esplanada. … Continuar lendo Ah, os 50!

Uma bela história sobre pijamas e sonhos

foto: divulgação do filme

saudosidades// porque, por aqui, não falamos só sobre o que é novo ou estreante.

Antônio Trindade

O livro “O menino do pijama listrado”, um romance do irlandês John Boyne, é um desses títulos que surpreendem pela simplicidade.

Na obra, John Boyne faz um olhar infantil sobre o Nazismo. A história se passa na Alemanha, durante a Segunda Gerra. Começa quando o curioso Bruno é obrigado e deixar sua casa em Berlim porque o pai, um importante militar do exército alemão, é enviado para cuidar de um campo de concentração.

Bruno subitamente se vê em um lugar chamado Haja-Vista (como é muito novo, não sabe pronunciar direito Auschwitz). Ele fica indignado com o pai por ter trocado a iluminada Berlim, cheia de amigos e diversão, por aquele lugar. -Até que o inesperado acontece. Mas pra saber, continue lendo

Sonho possível, mas sem surpresas

foto: divulgação Warner Bros

Antonio Trindade

Fui ao cinema ver Um Sonho Possível (The Blind Side) sem saber do que se tratava. Simplesmente não tinha visto nenhum trailer. A única coisa que eu sabia era que Sandra Bullock tinha recebido um Oscar pela película. De certa forma, me surpreendi, mas não o enxergo como um filme tão marcante assim.

Logo nas primeiras cenas, o espectador fica sabendo que o roteiro foi baseado em fatos reais. O título original do filme, The Blind Side, é uma clara referência ao Futebol Americano, uma paixão gringa. Em algumas jogadas, os atacantes de um time devem proteger o lado cego do quarterback (não entendo nada de futebol americano. Isso foi tudo que deu para assimilar). Bom, essa explicação toda serve apenas para mostrar como no Brasil, onde o esporte não faz o menor sucesso, o título original talvez não fizesse muito sentido.

Voltando ao filme, Um Sonho Possível conta a história do adolescente Michael Oher, apelidado de Big Mike, interpretado por Quinton Aaron. Big Mike é negro, obeso, pobre, filho de mãe viciada em drogas e cresceu em um mundo de rejeição e violência. Mesmo assim, nunca se deixou contaminar pela maldade que o cercou. Retirado à força dos braços da mãe, ele nunca se adaptou à vida de adoção. Mas o trauma da separação o tornou uma pessoa fechada em seu grande vazio e avessa a qualquer tipo de relacionamento. -Leia mais

O canto dessa cidade é meu

foto: kaysha, no Flickr

Morillo Carvalho

Aêê! O bom senso resolveu engendrar pelos corações das autoridades brasilienses! Lembra do psicoestimulante de dois dias atrás, publicado aqui, sobre a festa dos 50 anos de Brasília? Pois é. Era um esquenta, pois hoje de manhã rolou uma coletiva organizada pela Secretaria de Cultura do DF, e… Os donos da bola, que vão despontar no palco da grande festa de 21 de abril são… brasilienses!

É. Óbvio que se nada dessa podridão tivesse vindo à tona na política, provavelmente teríamos Madonna, Beyonce, Shakira ou até mesmo U2, como tanto se especulou (e se especulou e se especulou). Certamente que o artista brasiliense continuaria relegado a um palco na Torre de TV, quem sabe. Bom. O fato é que rolou um “lobby do bem” entre os músicos daqui e deu certo agora. De acordo com a Secretaria de Cultura, a festa sofreu um corte drástico: dos previstos R$20 milhões, caíram para R$8 milhões.

O fato é que não dá pra deixar de comemorar. Afinal, ter Paralamas, Dhy Ribeiro, Zélia Duncan e Milton Nascimento (que não é daqui, mas vai homenagear JK cantando Peixe Vivo), num mesmo dia, vai ser bem mais legal do que se se confirmasse a programação ‘peba’ que já tinham divulgado, com Luan Santana e Bruno e Marrone. A “mestre de cerimônias” será a Daniela Mercury e o show mais aguardado por mim é, com certeza, o do Nando Reis, que, pronto, estará de volta a Brasília esse mês, respondendo à dúvida do post sobre o CD Drês dele. -Leia mais, pois tem outros programas de 50 anos também…->

Literatura mulherzinha?

foto: Lubs Mary, no Flickr

Paulo Palavra

Uma das coisas que acho mais divertida no mundo da literatura é a tentativa de criar segmentação para os autores/livros. Ok, dá pra gente segmentar em ficção, ficção científica, não ficção, policial… mas dizer que isso é livro pra homem e aquilo é livro pra mulher eu não engulo. Digo isso pois acabo de ler “Comer, rezar, amar”, da americana Elizabeth Gilbert, título rotulado como “literatura feminina”.

Por que rotulam assim? Porque a autora conta a história de um ano de sua vida quando, saída de um divórcio complicado, resolveu passar um ano em busca de equilíbrio entre o carnal e espiritual. Para isso, buscou o prazer na Itália (comer), a paz espiritual na Índia (rezar) e o equilíbrio das duas – e como conseqüência, o amor – na Indonésia (amar). Em cada lugar, Liz ficou por 4 meses vivendo histórias cômicas e tristes, repletas de descobertas e vitórias pessoais.

Então a equação é a seguinte: vida de uma mulher + sofrimento com divórcio + busca por autoconhecimento + gordurinhas a mais na Itália + experiências transcendentais na Índia + a descoberta de um novo amor em Bali = literatura de mulherzinha. Até posso concordar que é, mas por que deixa-la restrita às mulheres? Por que nós, homens, não podemos nos render a tais histórias? Esse nível de machismo já é uma coisa tão ultrapassada, não? -Leia mais…

Dragão: você já treinou o seu?

imagem: Grow/divulgação

Antônio Trindade*

Como treinar o seu dragão, da Dreamworks, foi uma grata surpresa. Com personagens cheios de carisma, belas cenas de ação, comédia, um roteiro que flui bem e uma trilha sonora de primeira, a animação 3D dos diretores Dean DeBlois, Chris Sanders cativa.

Como treinar o seu dragão conta a história do garoto Soluço, morador de uma vila viking atormentada pelos constantes ataques dos dragões. Franzino, Soluço não leva nenhum jeito para o principal trabalho dos outros vikings: caçar e matar esses ferozes répteis alados. Como sempre se dá mal em quase tudo, ele é motivo de piadas dos outros moradores. Nem o pai o aceita do jeito que é.

Em uma noite, enquanto a vila é atacada, Soluço consegue um feito até então inédito que o daria glória instantânea: acerta um Fúria da Noite, um dragão negro, conhecido como o mais perigoso de todos. Sem coragem para acabar com a fera, Soluço o deixa ir e ainda o esconde dos outros moradores – e aqui começa a amizade mais improvável de todas. Mas talvez esse relacionamento sirva apenas para provar que tudo o que os vikings sabiam a respeitos dos dragões estava errado. -Continue lendo para saber o que mais acontece nessa história…

Os detalhes do Rei

foto: divulgação

Michel Medeiros 

Interatividade. Este é o forte da exposição “Roberto Carlos – 50 anos de música”. Aberta desde 6 de março na Oca do Parque Ibirapuera em São Paulo, além de retratar detalhes da vida do cantor mais popular da música brasileira, a mostra esbanja tecnologia. O programa é uma boa opção para quem passar pela capital paulista até 09 de maio.

Para os fãs do “Rei”, a exposição é uma oportunidade de estar mais próximo do ídolo. São centenas de objetos como roupas, troféus, presentes e carros usados por Roberto Carlos. Em nove telas de computador, é possível ouvir músicas de 90 discos, num total de 984 canções. Logo na entrada do prédio, o tão desejado Calhambeque azul – o original. Em um dos salões, uma das réplicas do automóvel está à disposição dos visitantes para fotos.

Porém, mais que observar, que tal fazer parte das comemorações deste cinquentenário? Esta é uma das propostas da curadoria. Além de conhecer um pouco mais da trajetória de Roberto, é possível registrar a admiração pelo artista ou, simplesmente, brincar de ser cantor. Entre as possibilidades, gravar um trecho da canção “Eu quero apenas” – aquela da frase, “eu quero ter um milhão de amigos…”. -E nós “queremos apenas” que você continue lendo…->

Alice

Foto: Divulgação

Ana Luiza Zenker

Uma menina de vestidinho azul, brincando na grama, vê de repente um coelho branco, correndo apressado, com um relógio na mão. Assim começa uma das histórias mais repetidas entre as últimas gerações. Uma das aventuras mais surreais disponíveis em livro e no cinema. Ainda que você não lembre todos os detalhes da entrada à saída de Alice daquela toca-de-coelho-mundo-de-faz-de-conta.

É mais ou menos assim, também, que começa a mais nova versão dessa história. Com aventuras ainda mais surreais – se é que é possível isso acontecer. Antes que alguém se pergunte se eu já vi: não. Ora, a Alice do Tim Burton ainda não estreou nos cinemas brasileiros. Só em abril, caríssimos. Mas a trilha sonora já está nas lojas em CD, sim senhor.

Já ouvi a cópia que uma amiga comprou – de acordo com ela, está barato, nem vale a pena tentar catar na internet um arquivo de qualidade. “Almost Alice” dá ainda mais curiosidade de ver o filme do que eu já tinha. -Para ficar com ainda mais água na boca, siga a leitura: tem o playlist e o trailler…->