Coluna nova: 10 músicas para curtir uma fossa

foto: zaxl4, no Flickr

foto: zaxl4, no Flickr

Por Maria Carolina*

Quem nunca né? Taí o momento mais clichê desde que a literatura inventou essa conversa de amor. Basta um chifre, uma história mal resolvida, aquele canalha  picar seu coração e moer bem devagarzinho no processador (e depois jogar ácido) que você se afunda nela.

Com essas redes sociais que vieram para acabar com a vida de nós sofredores inveterados e rainhas do drama então… Danou-se.  O inferno é aquela mudança de status de relacionamento. Quando ela pisca na sua cara, sempre em horário de pico da internet, acompanhada daquele monte de foto de beijo e juras de amor, baixa ou não baixa o Kurt Cobain?

E se é pra morrer de dor de cotovelo, tem que ter trilha sonora. Por isso resolvi ajudar os pobres sofredores e selecionar um top-10 de músicas para curtir a fossa. O texto é cheio de clichês, breguices e memes mesmo. E não tem Nirvana. A ótica, claro, é feminina. Procure o melhor do Caio Fernando Abreu na internet, selecione a trilha, o edredon e enjoy!

1- The Smiths – Please, Please, Please let me get what I want
Quando Morrisey  chora “Good times, for a change” a gente até acredita  que o tempo vai passar logo, não é não? E aí vem aquele clamor pela liberdade. Embora me pareça que ele não queira ir. Coloque bem alto no carro e dirija como se tivesse em uma rua toda trabalhada no inverno londrino. O carro vai passar rápido e a paisagem devagar.

Versão com o filme 500 days of summer: aqui, ou na lista com vídeos embedados do fim do post…

2- Amy Winehouse – Love is a losing game
Não consigo brincar com essa música. Me sensibilizo imaginando as voltas da Amy, todo o sofrimento que é amar aquele traste, ser traída, trair, diminuída, enfim. E você chega ao fundo do poço e não consegue amar mais ninguém. E essa falta de esperança é resultado de um dilema feminino muito comum na nossa geração. Há dois caminhos a seguir, ambos estão errados. Game over porque “love is a losing hand”.

3- Cascavelletes – Jéssica Rose
Essa é uma das minhas preferidas na vida. O rock gaúcho se resume a sexo e amor e fossa tem sempre os dois elementos envolvidos. Eu não sei vocês, mas quando ele fala “eu queria te amarrar numa cadeira de cimento e depois te lançar no mar” imagino toda a cena. Dá vontade de fazer isso com alguém aqui no Lago mesmo.

4- Coldplay – The Scientist
Como diria Chico Buarque, se é pra supurar, Coldplay não pode ficar fora. E “The Scientist” tem o argumento perfeito para o tema: a morte, que deve levar o cara às traças. Além disso, a ideia de consertar o passado é constante na cabeça de quem tá mal. Sei lá viu… Dá uma vontade de voltar no momento exato do primeiro beijo e, em vez de se derreter com o beijo roubado daquele canalha, meter-lhe um soco bem dado no olho e gritar  um ME RESPEITA SEU BABACA! Pronto. Acabou o sofrimento.

5- Banda UÓ – Shake de amor
Esse “vou me vingar de você” elétrico dá uma acordada na depressão. E as verdades da letra são melhores que qualquer amigo sincero desbocado. Porra, o cara roubou tudo dela. Roubou até as pregas.

6- Wander Wildner  – Eu tenho uma camiseta escrita eu te amo
Esse tópico devia ser apenas “Wander Wildner” tamanho é o talento punk para tocar nossos corações. Escolhi a letra porque (usando todos os eufemismos possíveis) retrata um momento bem particular do sofrimento e desejo sexual masculino, que sempre deve ser considerado quando falamos de fossa. Tá, o rock é animado, mas eu acho aquele refrão de “se eu pudesse eu ficaria sempre perto de você” o mais humilhante de se dizer para uma pessoa que nos faz mal. E o pior é que a gente fala. Eu  já falei.

7- Reginaldo Rossi – Em plena lua de mel
É repertório do Bregas e Rosas. Entra na lista porque serve para praticamente todos os envolvidos em um “caso de chifre”.  Serve pro corno, pro amante e pra “moça linda”. A coitadinha ganha uma lavada do Rossi, mas com muita educação, como deve ser.

8- Los Hermanos – Sentimental
A sugestão era “primeiro andar”, mas a baladinha de  “sentimental” tem uma tensão psicológica que eu gosto muito no amor. Da dúvida, do ciúme, do passado. Da mania da mulher de querer desatar nós. O que não faz sentido para o homem. E o “eu só aceito a condição de ter você só pra mim eu sei não é assim” cantado forte se encaixa em qualquer desilusão. Quem ama não consegue dividir. Eu não consigo. Mas a gente finge  e ri.

9- Adele – Rolling in the Deep
Adele é unanimidade no tema né? Nem gosto dela, mas tive que dar o braço a torcer. E apesar de a melodia ser animadinha, não há sofredor no mundo que não se encaixe na história. Do nome até a última frase. E música de fossa tem que ter identificação com coração partido. Além disso, elejo “think of me in the depths of your despair” a melhor frase para tortura romântica dessa humilde seleção.

10- Ramones – Out of time
Há quem diga que Ramones não se presta a isso, mas a lista é minha, a fossa é minha e eu ponho o que eu quiser. Eu tava na dúvida, mas “Out of time” pela perspectiva de superação. Você tá lá com aquele pijamão da Renner se acabando no chocolate, mas se imagina linda, com um novo amor, repetindo freneticamente: well baby, you’re out of time.

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*Maria Carolina estreia hoje por aqui com essa “Coluna nova”, que semana que vem estará devidamente batizada. Sempre um 10+ de coisas que só a Carol pensa. Carol tem gosto musical eclético inconfundível, que vai do non-sense à música clássica. Não tem vícios irritantes e é internacional.

A lista de vídeos embedados:

1 – 1- The Smiths – Please, Please, Please let me get what I want:

2 – 2- Amy Winehouse – Love is a losing game

3- Cascavelletes – Jéssica Rose

4- Coldplay – The Scientist

5- Banda UÓ – Shake de amor

6- Wander Wildner  – Eu tenho uma camiseta escrita eu te amo

7- Reginaldo Rossi – Em plena lua de mel

8- Los Hermanos – Sentimental

9- Adele – Rolling in the Deep

10- Ramones – Out of time

 

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Dia de Reis, o fim de um ciclo

Fitas e chapéus da folia de Reis em Santo Amaro da Purificação/BA - Foto: Alex Oliveira - Setur-BA

Fitas e chapéus da folia de Reis em Santo Amaro da Purificação/BA - Foto: Alex Oliveira - Setur-BA

Hoje é o dia de Santos Reis! Tradição religiosa, segundo a qual, é o dia em que os três reis magos que foram visitar o menino Jesus na manjedoura (e levaram ouro, incenso e mirra) resolveram vazar de Belém para nunca mais se ouvir falar deles. Mas é também tradição profana, que encerra o ciclo de festas populares de final e início de ano. Nas culturas populares, há dois ciclos: o junino, que começa no carnaval e vai até o final de junho; e o natalino, que é este de novembro pra cá.

Já parou pra pensar no porquê de as reisadas se chamarem REISadas? Elas estão espalhadas por tudo o que é canto do país. Em alguns locais, são chamadas de Folias de Reis. Enfim. Neste ciclo, milhares delas entram em atividade, em profusão, para em seguida encerrarem. Além delas, são tradições do período as lapinhas (representações do nascimento de Cristo), e tudo isso é animado por bandas cabaçais, congadas, etc.

Em poucos locais do país, a festa de Reis é tão celebrada quanto em Porteirinha, cidade do semi-árido mineiro (no noroeste do estado). Lá, seis de janeiro é feriado, e é o último dia de uma festa que começa em 28 de dezembro.

A cidade se enfeita toda com bandeirolas, feitas pelos moradores. Na programação, tem missa, novena, procissão e apresentação dos grupos de Folia de Reis e das pastorinhas, e encenação com os três Reis Magos (Belchior, Baltazar e Gaspar). -Continue lendo…->

Você conhece os lipdubs?

Lipdub é um videoclipe gravado em plano de sequência. Hã? É um filme gravado sem cortes, ou seja, liga-se a câmera e ela sai gravando uma sequência de cenas contando uma história.

Lipdubs ficaram famosos de uns dois anos pra cá. O primeirão, não sei se de todos, mas o que ficou mais conhecido, foi o de um grupo de estudantes canadenses cantando I gotta feeling, do Black Eyed Peas.

Foi o suficiente para a ideia se proliferar pela internet. O fato é que, pra ficar legal, tem que ser bem feito.

O sucesso do momento na internet é “Oração”, da Banda Mais Bonita da Cidade. Acho a música até bonita, mas, se queres ser repetitivo, repita sua ideia por 10 vezes e não por 54, que cansa.

Ocorre que, recentemente, Newsweek, famoso semanário norte-americano, resolveu chamar a cidade de Grand Rapids, em Michigan, de “moribunda”. Como americano, você sabe, não admite ficar por baixo (haha), cinco mil pessoas da cidade se uniram e criaram um baita de um lipdub, cantando a famosa “American Pie”. Curte:

E a crítica, dizem, está classificando este clipe de o melhor de todos os tempos. Chato, hein? Como diz Luiza Marilak: se isso é “tá” numa pior… porrãn! o que é que é “tá” bem, hein (Newsweek)? O clipe ganhou o nome de “A cidade mais bonita da banda”…

O fato é que lipdubs são demais. Mas, aqui, só apresentei clipes maneiros. Há bizarrices no meio do caminho, como essa aqui…

Eleições. A gente vê por aqui.

Para ver, rir e roquear

peça "A Incrível Mulher que virou Jarro", no Festclown. foto: divulgação)

Hoje é um dia incrível. Que tá acabando, se você está trabalhando, mas que está só começando, se você tem disposição para agregar cultura à vida. Tem evento pra quem é de riso, pra quem é do rock e pra quem contempla.

Óbvio, não vou resumir três eventos a uma noite, ou a um texto apenas. Tem mais. Mas agora, é importante que você saiba que essa quarta é o dia em que começam coisas bacanas cidade afora, e que por isso aquela desculpinha esfarrapada de que Brasília não tem cultura não cola e não passa de desculpinha esfarrapada de preguiçoso.

Hoje a noite começa com a abertura da exposição do Tarciso Viriato, no espaço cultural do STJ. O cara é tão incrível e eu gosto tanto da obra dele que nem vou ficar me estendendo muito nesse assunto, porque quero fazer um texto inteiro sobre ele. Mas a abertura é hoje, às 18h30. Clica aqui pra você ter noção do que eu tô falando.

Se você é de rir, então chore de tanto rir com o Festclown. Clown é uma arte secular, identificada aqui no Brasil com os palhaços de circo, mas se eu puder comparar com o que mais se aproxima do palhaço “clown”, diria que é com o Charles Chaplin. O Festclown é um festival internacional de palhaços, que rola pela nona vez na Funarte, no Eixo Monumental. Hoje é a abertura, mas o evento segue até domingo. Já estive em uma edição, e garanto: é incrível.

Sobre este evento, falo mais depois também. Promessa é dívida. Por enquanto, se você quer detalhes da programação, clique aqui. O melhor é que é “de grátis”, mas você deve estar pelo menos duas horas antes no local, para conseguir o seu bilhete. Continuar lendo

Direitos Autorais, again.

foto: Giuli-O, no Flickr

Então. Lembra do blablablá que deu quando a ministra Ana de Hollanda resolveu tirar o selinho do Creative Commons do site do Ministério da Cultura? Se não lembra, clique aqui.

Enfim, parece que as coisas estão tomando tenência. Devem ser flexibilizadas. O ministério abriu uma consulta pública para que a sociedade contribua com o debate, especialmente sobre o que deve ou não constar no projeto que o ministério deve encaminhar ao Congresso pedindo a alteração da chamada Lei do Direito Autoral.

Bom, Creative Commons, pra quem não sabe, é uma licença aberta. Ou seja: o autor escolhe até onde outra pessoa pode (e de que forma ela pode) alterar, reproduzir e distribuir sua obra. É o que se chama de copyleft, em contraposição ao copyright, em que todos os direitos são reservados ao autor.

O maior problema com os direitos autorais hoje é no que tange ao audiovisual. Uma das polêmicas é que a grana arrecadada em direitos autorais, pelas mãos do Ecad (Escritório Central de Arrecadação), nunca chega às mãos dos autores. Outra é que o escritório cobra uma contribuição de arrecadação de bilheteria de cinema por causa das músicas vinculadas às trilhas sonoras dos filmes – o que parece bem ilógico mesmo.

Enfim. Pra colaborar, há um formulário no site do ministério (www.cultura.gov.br). O formulário pode ser encaminhado para a Diretoria de Direitos Intelectuais (DDI/MinC), no endereço SCS Quadra 09, Lote C, Ed. Parque Cidade Corporate – Torre B, 10º andar, CEP: 70.308-200, Brasília (DF). Ou para o e-mail revisao.leiautoral@cultura.gov.br.

No universo de Naomi e Anita

imagem: capa do livro

Se vivo, Monteiro Lobato faria hoje 129 anos. Seu nascimento deu origem ao Dia Nacional do Livro Infantil, afinal, ele foi o precursor dessa literatura, pelo menos no Brasil.

Minha infância foi permeada por esses livros, dos mais diversos autores. Ruth Rocha, Ziraldo, os contos de Perrault e muito mais. A do meu filho tem todos esses, e mais os novos autores, que fazem da literatura pros pequenos uma das mais criativas e profusivas que temos hoje.

De gente famosa, como Gabriel o Pensador, a gente que está aqui do meu lado e que, inclusive, já colaborou para com este blog, como Akemi Nitahara. -Continue lendo…->

“Fomentar cultura é dever do Estado”, disse Jesus

foto: divulgação Via-Sacra de Planaltina

Ele disse também que “por mais paradoxal que possa parecer, existe uma cultura da anti-cultura”. Messias na Via Sacra de Planaltina por anos, o agora deputado distrital Cláudio Abrantes (PPS), é um dos líderes da mobilização de artistas e parlamentares que resultou na criação da Frente Parlamentar em Defesa da Cultura, na Câmara Legislativa do DF.

Em entrevista ao Drops, Abrantes refere-se à “cultura da anti-cultura” como uma postura política adotada por anos no DF, de relegar ao segundo plano as questões culturais da cidade. A Frente Parlamentar, lançada na sexta-feira (1º), tem 17 parlamentares e o principal objetivo é fazer com que a discussão de políticas culturais passe pela Câmara Legislativa.

“Temos 30 regiões administrativas – excluindo o SIA – e apenas três teatros: o do Cave (Guará) – que nem deveria ser considerado teatro, pois é uma arena aberta multi-uso – o da Praça (Taguatinga Centro) e o de Sobradinho”, lembra Abrantes -Continue Lendo->