Começa o encontro na Chapada!

Plantão de fim de semana tem seus bônus. Um deles é poder atualizar o Drops. O ônus é que, na pressa, a prática do control+c, control+v fica inevitável. Por isso, mando reportagem que acabo de escrever para a Agência Brasil – que não tem nada a ver com o estilo do blog, mas está valendo para não deixá-lo defasado… Lá vai:

Mais de cinco mil pessoas devem visitar a vila de São Jorge, no município de Alto Paraíso de Goiás (GO), de hoje (19) até o dia 2 de agosto. Logo mais, às 16h, tem início o 8º Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, um dos mais importantes eventos culturais do Centro-Oeste.

A organização destaca a presença dos povos indígenas como a grande atração do encontro – a primeira semana é dedicada exclusivamente a eles e chamada de Aldeia Multiétnica. Ao todo, 17 etnias indígenas, de diversas regiões do Brasil, estarão num espaço a cinco quilômetros do povoado de São Jorge, chamado Aldeia da Lua.

Realizar um encontro que valorize as culturas tradicionais – além dos povos indígenas, grupos de congada, catira, curraleira e músicas ligadas à folia do Divino, típicas da região – foi uma iniciativa que partiu do presidente da associação de moradores da vila de São Jorge, Juliano Basso, hoje coordenador do evento.

“A idéia do evento Nasceu dentro do centro cultural Cavaleiros de São Jorge e tomou corpo na associação [de moradores]. E partiu de um grupo de amigos que decidiu morar aqui para trabalhar com uma parte mais humana, com a cultura, então nos reunimos e decidimos fazer esse projeto e correr atrás”, conta Basso.

Por causa do aumento do número de pessoas na vila, Basso conta que os moradores aproveitam o período para reforçar o orçamento doméstico. Segundo ele, todas as pousadas, campings e casas que oferecem aluguel de dormitórios já estão lotadas.

“Todos esperam o ano inteiro por esse momento, que é quando todo mundo pode melhorar efetivamente sua renda. Todas as casas [disponíveis] estão alugadas, todos os restaurantes vendem muito, montamos uma feira de alimentação e abrimos a oportunidade de as pessoas venderem comidas típicas da região”, enumera.

Além das atrações culturais, estão programadas Rodas de Prosa, que servem, de acordo com o coordenador, como um fórum de culturas populares, e uma Feira de Oportunidades Sustentáveis, dedicada à venda de artesanatos – ela está montada, não por coincidência, na Praça do Artesão. Também estão programadas oficinas durante todo o encontro e uma mostra de filmes sobre cultura popular.

Do caralho, né? Nunca fui, mas tentaremos ir… Para acessar o site oficial do evento, clique aqui.

*As fotos são da Elza Fiúza (Agência Brasil), que cobriu os primeiros 5 encontros e nos disponibilizou dois momentos captados pelas lentes dela.

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Não vi, mas gostei

Não faz o menor sentido, na minha cabeça, escrever sobre livros que não li. Mas vou subverter essa idéia, já que não gosto de idéias fixas, e falar de um romance que ainda não li, mas já gostei. A guerra de bastardos, segundo livro de Ana Paula Maia, despertou minha curiosidade desde que li, anteontem, a Bravo! deste mês. A escritora entrou numa onda que começou nos States e que parece ser bem bacana: a dos trailers de livros.
Quem assistiu aquele filme mega clichê, mamão-com-açúcar e tal, “O amor não tira férias“, sabe que a indústria de trailers em Holliwood é tão importante quanto a dos longas em si – quem não assistiu, não vai ficar no vácuo: a personagem de Cameron Diaz é diretora de uma megaprodutora de trailers, que ganha muito bem. Tá, essa indústria não é tão importante quanto a dos longas em si, mas é muito importante. É que traileres cumprem o papel do aperitivo no cinema.

Como é que não tiveram essa mesma idéia antes, só que para a literatura? Pois é, agora rola no Youtube o trailer do livro Snuff, de Chuck Palahniuk. E o do “A guerra dos bastardos”.

A matéria da Bravo! funcionou como um trailer para este texto. São os teasers da vida. As reportagens já cumpriam o papel de trailer literário. Agora, é sensacional ver o audiovisual sendo usado, aos poucos, para ocupar esse lugar. Certamente, vão divulgar melhor e despertar mais aquela vontade de ler. Se considerarmos a média ridícula de livros por ano que o brasileiro lê, então…

O trailer é sensacional. Ainda tem um videorrelease (release, pra quem não sabe, é um texto que serve de base para jornalistas – antes de ir às ruas fazer reportagens, eles usam este recurso), com Ana Paula falando sobre sua cria (pois dizem que livros são filhos). Certamente serei um dos compradores. Só que não vou opinar – lembra que só opino sobre o que leio? Não consegui subverter essa idéia fixa. Então opina você. O trailer tá na rede – basta clicar. Agora vamos ver se o livro corresponde à expectativa, né?

*A foto é um print que fiz no trailer.

Fronteiras, de Santiago Serrano


Começo este texto agradecendo a atenção que a produtora Nalva Sysnandes deu ao Drops Culturais. Ela pôde perceber que nosso objetivo é mostrar ao povo brasiliense e que aqui, em Brasília, também há arte. Ao longo das coberturas, Drops irá mostrar essa arte com olhar diferente – bem além de uma simples divulgação de evento.

Nalva Sysnandes é produtora do espetáculo Fronteiras que entrou em cartaz ontem, dia 10, e vai até o dia 27 de julho. A peça tem texto originalmente escrito em espanhol e ganha sua primeira encenação no Brasil e em língua portuguesa. A direção é de Guilherme Reis, que reuniu dois dos mais conceituados atores de Brasília: Chico Sant’Anna e Sérgio Fidalgo. Em cena, os dois indivíduos aguardam para atravessar uma fronteira invisível. Eles não se conhecem e, a princípio, também não se entendem. Aos poucos, vão se revelando, trocando experiências, narrativas e, muitas vezes, identidades. Num clima que lembra, em alguns momentos, o mestre do absurdo Samuel Beckett em Esperando Godot e, em outros, as desventuras de Dom Quixote e Sancho Pança, de Cervantes, o dramaturgo Santiago Serrano faz seus personagens esperarem infinitamente.

Fronteiras teve uma curta temporada de sucesso no Espaço Cena e voltou em cartaz no Teatro Goldoni – Casa d’Itália. Sempre de quinta-feira a sábado, às 21h e no domingo às 20h. Os ingressos são R$20 e R$10 (meia).