4 Fevereiro 2026

O Peso da Data e a Profecia do Medo

Para muitos, esta sexta-feira é apenas o prenúncio do fim de semana, mas para os supersticiosos e amantes do gênero, é o momento ideal para entrar no clima sombrio. A associação da data com o terror se solidificou culturalmente em 1980, com o lançamento do icônico filme “Sexta-Feira 13”. A obra introduziu ao mundo Jason Voorhees, o assassino mascarado que aterrorizava jovens em um acampamento, transformando o dia em sinônimo de lendas urbanas e suspense.

Entretanto, especialistas argumentam que esse temor é nutrido mais por mitos do que por fatos. Psicólogos sugerem que a crença no azar pode desencadear uma “profecia autorrealizável”: o medo intenso faz com que as pessoas fiquem ansiosas e desatentas, interpretando pequenos contratempos cotidianos como grandes desastres sobrenaturais. Independentemente da origem do medo, a melhor forma de exorcizá-lo — ou abraçá-lo — é através de uma boa maratona de cinema.

Clássicos Absolutos do Gênero

Para começar os trabalhos, nada melhor que revisitar obras que definiram o horror. O cinema nacional marca presença com “À Meia-Noite Levarei Sua Alma” (1964), onde o cruel coveiro Zé do Caixão, obcecado em gerar um filho perfeito para perpetuar seu sangue, comete atos hediondos que desencadeiam uma vingança sobrenatural. Já no cenário internacional, “O Iluminado” (1980) nos leva ao isolado Hotel Overlook, onde Jack Torrance, vivido por Jack Nicholson, sucumbe à loucura enquanto seu filho Danny lida com premonições aterrorizantes.

Outra pérola indispensável é “O Enigma de Outro Mundo” (1982). Na desolada Antártida, cientistas enfrentam uma criatura capaz de assumir a forma de suas vítimas, gerando uma paranoia claustrofóbica onde ninguém é confiável. Avançando para o final dos anos 90, “A Bruxa de Blair” (1999) revolucionou o formato found footage ao mostrar o destino macabro de três estudantes perdidos em uma floresta de Maryland.

O Terror Moderno e Sobrenatural

Para quem prefere produções mais recentes, a lista segue com “Invocação do Mal” (2013), que narra os casos dos investigadores paranormais Ed e Lorraine Warren, e o perturbador “A Bruxa” (2015), que retrata a histeria religiosa e o desmoronamento de uma família no século XVII. Ainda no campo familiar, a série transformada em longa para esta lista, “A Maldição da Residência Hill”, explora o trauma de cinco irmãos que precisam confrontar os fantasmas de sua infância.

O cinema brasileiro contemporâneo mostra sua força com “Morto Não Fala” (2018), trazendo a história de Stênio, um plantonista de necrotério que fala com os mortos e acaba colocando sua família em risco ao ouvir segredos que não deveria. Em “Mata Negra” (2018), o folclore e a magia se misturam quando uma jovem encontra o Livro Perdido de Cipriano. Completam essa seleção inicial “Histórias Assustadoras para Contar no Escuro” (2019), “Canto dos Ossos” (2020) e o sucesso psicológico “Sorria” (2022), onde traumas passados se manifestam através de sorrisos sinistros e mortais.

Thrillers Eróticos e Tensões no Streaming

Expandindo o horizonte para lançamentos recentes em plataformas de streaming, o destaque vai para um thriller erótico dirigido por Mercedes Bryce Morgan, que conta com o talento do brasileiro Marco Pigossi. Na trama, Sage (Maddie Hasson) e seu parceiro Diego (Pigossi) enfrentam um dilema ao chegarem em uma propriedade à beira do lago e descobrirem que o local já está ocupado por outro casal atraente. O que começa como uma convivência forçada logo descamba para jogos de sedução, manipulação emocional e segredos revelados, com uma pitada de crítica sobre vigilância e a desconfiança moderna plantada pelas elites. É um prato cheio para quem gosta de ver gente bonita em situações extremas e sangrentas.

Bruxaria Familiar e Pesadelos Psicológicos

Para os assinantes do Shudder, a família Adams (não a da TV, mas os cineastas independentes) traz uma nova pérola do horror folk, muitas vezes associada ao título “Hellbender” ou referenciada em catálogos como “Mother of Flies”. A trama gira em torno de Solveig, uma bruxa reclusa que recebe a visita de parentes em busca de cura para uma doença terminal através da magia. Com atuações da própria família de diretores — Toby Poser, John Adams e Zelda Adams —, o filme é uma exploração visualmente rica e estomacal sobre a maternidade e legados malditos, pontuada por uma atmosfera de quietude ameaçadora.

Já o diretor David Moreau retorna com um thriller psicológico que, embora não tenha o impacto niilista de seus trabalhos anteriores, conquista pela atmosfera. O filme acompanha Alice (Olga Kurylenko), uma ex-miss adolescente que retorna à casa de infância após a morte da mãe dominadora. Misturando imagens de vigilância com fitas VHS do passado, a obra cria um paralelo perturbador entre os traumas causados por uma mãe abusiva e os ideais de beleza inalcançáveis, tudo isso enquanto algo espreita Alice na escuridão.

Por fim, no catálogo da Tubi, encontramos o drama sobrenatural “Death Name”. Ambientado na Coreia do início dos anos 1950, o filme foge do padrão das produções rápidas da plataforma ao entregar uma narrativa elegante em preto e branco. A história segue Sophie Park, uma estudante coreano-americana que, através dos avisos de sua avó, mergulha em uma trama que explora a identidade coreana moderna e as cicatrizes deixadas pela Guerra da Coreia, provando que o horror também pode ser um veículo para reflexões históricas profundas.