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RIP, Hugo Rodas!

Diretor faleceu aos 82 anos, após um AVC e complicações de um câncer que tratava há três anos.

Quando fui à sua casa, em junho de 2021, para escrever uma reportagem que ainda será publicada sobre a Colina da UnB, o porteiro do prédio chamou umas três vezes e ninguém havia atendido. Liguei, então, para ele, e avisei o ocorrido. “Mas que caralhos, já avisei aí embaixo que estou com dificuldade de andar!”, respondeu. O porteiro ouviu e autorizou a entrada. E quando cheguei ao andar de seu apartamento, apenas bati um pouco na porta e avisei que estava entrando.

foto de Diego Bresani, num dos ensaios que mais gosto do Hugo Rodas que já vi…

O pequeno mau humor gerado pelo desconforto de andar (estava com o ciático atacado) se esvaiu em menos de três minutos, quando começamos a conversar sobre suas memórias e sua casa. Era o propósito da reportagem: falar de seu recanto. E nessa matéria, um prenúncio para a data de hoje: “quero que me deixem morrer aqui na Colina”. Queria passar os últimos dias de sua longeva existência lá. Ainda daria um caldo se este AVC e as complicações do câncer que enfrentava há três anos não lhe tivessem surrupiado de nós, hoje.

Hugo falou com amor e olhos brilhando sobre a mesinha cheia de enfeites e louças de sua tia, uruguaia como ele, a quem havia pedido os objetos de herança ainda na infância. Fiz a pergunta boba, sobre sua tia ainda estar viva. “Mas é claro que não!” – sei lá, vai que sua tia era uma adolescente quando você desejou suas coisas, respondi. E rimos.

Era junho de 2021, portanto, ainda o meio da pandemia. Ele já não aguentava mais a violência da doença e sua imposição por todos terem de se trancar – mas não se rebelava porque, obviamente, não adiantaria e ele não era nenhum bolsonarista, claro.

Estava em Brasília desde 1975. Viveu alguns poucos anos em São Paulo nesse meio de campo, mas era tão, tão apaixonado por essa cidade que chegava a encantar ouvi-lo falar sobre aqui. A morte é uma merda. Convivi com e entrevistei dezenas de artistas preparados por ele, alguns bastante seus íntimos, como Abaetê Queiroz e Juliana Drummond (algumas das vezes a vi tirar a caderneta da bolsa e anotar alguma frase ou outra que Hugo falava no Moisés, o bar da 108 Sul – não essa nova versão da 315 Sul, o clássico). Dirigia a Agrupação Teatral Amacaca (ATA). Quando entrevistei Alejandro Claveaux, ele contou sobre ter estudado em Brasília (é goiano) com Hugo Rodas, especialmente por seu trabalho de corpo.

Saltimbancos, por ATA, com direção de Hugo Rodas. foto: Diego Bresani

Perdemos um mestre do palco, um criador inquieto movido pela força dos movimentos corporais. Foram mais de quatro décadas e meia formando intérpretes nos palcos e em salas de aulas prontos para ocuparem teatros do mundo”.

secretário de Cultura e Economia Criativa do DF, Bartolomeu Rodrigues

Vá em paz, Hugo! Axé!

foto destacada: Diego Bresani


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