“Caminho Caminho” de Paulo Ohana é a melhor coisa que você vai ouvir hoje, e talvez amanhã e depois

Ele é pura música. É cantautor. É artista! É de Brasília, mas merece o mundo e por isso está em São Paulo produzindo coisas lindas como essa canção que antecipa seu segundo disco

Quando descubro que um artista da dimensão de Paulo Ohana está radicado em São Paulo e não mais dividindo esse quadradinho goiano (o DF) comigo, bate um bocadim de tristeza, mas a compreensão chega em seguida. Brasília é terra fértil para a arte, é onde brotam seres como ele, mas todo o resto trata de castigar quem, como ele, vive de música. Sair acaba sendo inevitável – ou resta conseguir outra ocupação. A aridez não se resume ao clima seco, é expressa em abominações como a Lei do Silêncio (mecanismo local que impede grande parte das casas de shows de funcionarem em paz na cidade), na falta de estímulo no rádio, na ausência de produções culturais na TV, no consequente não acolhimento do brasiliense para com a arte que se faz aqui. E não me venha com “ai, rádio e TV, estamos em tempo de internet”, quando ainda é claro o papel de rádio e tv como provedores e fomentadores, enquanto que a internet mais funciona como difusora.

Desabafo feito – e ressalte-se, é um desabafo meu, pois nem sei se foram esses os fatores que levaram Paulo Ohana a se radicar em São Paulo, é que saber disso me evocou essas reflexões – passemos à parte que esse título promete: é bem provável que você não ouça nada melhor do que essa música nova dele, nem hoje, nem amanhã, talvez na próxima semana. É coisa realmente rica. Ó:

Lindão, né? A proposta é, portanto, viajar na memória afetiva. O single faz parte do segundo disco de Ohana, “O que aprendi com os homens”, que será lançado pelo selo yb music. O clipe é dirigido por Amabile Barel e o bailarino que performa é Everton Ferreira.

Paulo Ohana

O primeiro disco de Paulo foi lançado em 2013, e se chama “Outros Ventos”. É fruto da parceria dele com Gabriel Preusse, que agora vive nos States. O artista está solo, portanto, desde 2019, quando lançou o EP “Pólis”. Mas… O motivo do meu lamento no início do texto é que euzinho aqui já estava acompanhando a carreira desse rapaz esguio e até um pouco tímido antes mesmo de lançar seu primeiro álbum.

Entre 2011 e 2015, ancorei a transmissão do Festival de Música Nacional FM. Foi uma das coisas mais incríveis que fiz em minha carreira na EBC. E em 2012, quando o festival começou a crescer o suficiente para não mais caber no teatro do Sesc Sílvio Barbato, no Setor Comercial Sul (onde estávamos desde a primeira edição em 2009 – e eu fui repórter do backstage em 2010), chegamos ao tradicionalíssimo Sesc Garagem, que é das casas mais importantes para a música brasiliense. E dentre os finalistas estava Paulo Ohana, numa canção que interpretava junto com o também talentosão Pedro Vasconcellos. Resultado: ganhou o prêmio de melhor intérprete. E eu tava lá, assistindo ele merecer a ovação. Olha ele, novinho, falando com o portal EBC:

O Paulo Ohana abriu, com sua canção, uma caixa de afetos aqui dentro, e aí fui cavucar e o encontrei comentando ter ganhado o prêmio, aí cavuquei um tico mais e achei essa outra belezinha aqui: um minidoc sobre os Bastidores do Festival de Música Nacional FM 2012. E quem tava lá, conduzindo as entrevistas, aprontando todas e embarcando em altas aventuras?

O engraçado é que, ao contrário de outros músicos que passaram pelo Festival, eu e Paulo não tivemos chance de nos aproximar. Mas sua participação, sua interpretação num mix de Caetano com Renato Russo e domínio pleno do palco mesmo tão jovem, se tornaram memória marcante aqui. Deve ser porque Ohana – como diz o Stitch, na animação da Disney – quer dizer família, e família quer dizer nunca abandonar ou esquecer. A gente não deve abandonar memórias boas. Nem esquecer.

foto: José de Holanda / Divulgação


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