Que tiro foi esse? Juliette lança EP e Gaby Amarantos lança single no mesmo dia – com Elza, Alcione e Dona Onete!

Saiu o aguardado EP de Juliette, a ganhadora do último BBB que inicia uma trajetória musical cheia de ingredientes felizes para a prosperidade. No mesmo dia, Gaby Amarantos lança primeiro single de seu novo álbum, um featzaço com Elza Soares, Alcione e Dona Onete. Oxigênio puro em dias tão sufocantes…

Digo sem a pretensão de guru: esses rompantes golpistas que o coiso quer dar vão fraquejar, como fraquejam um a um os envios de seus projetos ao Congresso – aka Minirreforma Trabalhista, neste 1º de setembro. E não vai rolar por motivo de: a sociedade quer Juliettes, Gils e Thelminhas – e os premia, e os conhece e sabe quem são, de onde vieram e sabem muito bem que em nada eles se aproximam do país caótico que o coiso quer (Ju fez vira-voto pro Haddad, Thelma e Gil fizeram live com Lula neste 1º de setembro). A sociedade quer Gabys, Onetes e Alciones e Elzas e tantas e tantas pretas mais serão as que se tornarão nossas vozes, nossos sucessos. A sociedade quer Linns das Quebradas, também presente na live com Lula, botando a banca da mulher trans preta. É por isso que eles se desesperam e tentam tomar o poder à força, e questionam a democracia e enchem tanto o saco. E o azedume contextual deste início de texto para por aqui.

Juliette

Verdade que os cactos enchem um pouco o saco, não se pode falar “passei do lado de Juliette e ela peidou fedido” que já aparecem 80 milhões te jogando hate e dizendo que o flatus de Ju tem odor de rosas dos campos da Provence, na França. A eles, caguei. Fato é que, alheio a eles, Juliette fez uma trajetória bonita no BBB, quando enfrentou a solidão à sua maneira, respondeu com gentileza aos ataques e ridicularizações, esteve perto de ficar pinel de tanto que brincaram com sua saúde mental. E cantou lindamente.

Cantou Maria Gadú, cantou Chico César, cantou Duda Beat, cantou Francisco El Hombre. Quando saiu da casa, desapareceu, ao contrário de outros participantes: tomou tempo, assimilou o que estava acontecendo, fez muita terapia, e agora se lança à música. E numa escolha suave, singela e respeitosa para com seus repertórios de vida e de identidade sonora já construída, lançou este EP já comparado a Manu Gavassi, Melim, Falamansa… Eu acho que muito mais se aproxima dessas referências dela mesmo: seu pop contemporâneo mesclado ao baião de sua terra. Tá lindo e tá delícia de ouvir.

Sem esquecer que dentro de poucos dias essa gigante estará no TVZ, no Multishow, em sua primeira experiência como apresentadora. Contei aqui, no dia do anúncio:

Gaby Amarantos e a potência amazônida

Gaby, antes de virar essa enormidade musical e artística, foi a segunda entrevistada do meu quadro Mosaico, que depois virou programa na Rádio Nacional da Amazônia. Não tenho o arquivo, mas acredite: entrevistei uma Gaby tímida em dezembro de 2009. Era a Beyoncé do Pará, cantando “Hoje eu tô solteira”, e tinha sido escolhida pra ser a segunda entrevistada porque Fafá de Belém, a primeira entrevistada (o quadro era semanal, às sextas-feiras), falara sobre uma parceria musical que tinha acabado de gravar com Gaby.

E pra quê tô nessa falação de bastidor? Porque Gaby, neste novo trabalho, “Purakê”, está vindo com tudo falando de sons amazônidas. Ela tem um clipe por faixa, mostrando essa potência, que é a música da região. E minha ligação com a música da região é de mais de 10 anos – na verdade, da vida toda, pois (como digo no áudio aqui embaixo) tenho avós paraenses, marajoaras. E a primeira dessas faixas é “Última Lágrima”, em que se reúne às potências vocais amazônidas de Dona Onete e de Alcione (sim, o Maranhão é oficialmente parte da Amazônia Legal brasileira) e a rainha, Elza Soares. Ouve:

Em 30 de junho de 2016, entrevistei a Dona Onete no programa, que à época também era veiculado na Nacional de Brasília AM, em rede. Ou seja, cada episódio buscava estabelecer a conexão cultural entre Cerrado e Amazônia. E vira e mexe essa felicidade acontecia, a de termos uma dona Onete nessa Brasólia de meu Deus. O golpe andava à galope, mas sem pandemia e com alguma crença de que não teria golpe e teria luta, ainda era possível viver com menos sensação de sufoco, como é hoje.

Sufoco sim, mas vai acabar. As demandas estão postas, basta um ouvido mais atento ao que quer dizer o sucesso das mulheres desse texto.

Arte: com fotos de divulgação do EP de Juliette e de Gaby (esta, por Rodolfo Magalhães)


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