A de Aroldo. A de Afeto.

Hoje é dia de falar sobre como o fechamento do teatro na pandemia gera situações extremas. Conheça a história do Aroldo, um drama real que você pode ajudar a contornar.

Quem é rato de teatro no Distrito Federal, dificilmente, passou batido às salas Adolfo Celi e Goldoni, do Teatro Goldoni, na 108/09 Sul. Comandado por muitos anos pelo casal Carmen e Marbo, a história do espaço não começou onde esteve nos últimos anos, a Casa D’Itália, no Eixão Sul, e provavelmente não terminará lá, já que a Terracap vendeu o imóvel. Ou seja, mais uma vez alguém deve demolir um lugar relevante e em ótima localização pra construir um monstrengo dum centro lucrativo de compras, jogando concreto e mesinhas em nossa história cultural. Mas a gente se refaz, sempre se refaz. Infelizmente é assim desde sempre. O que não podemos passar alheios, aqui, é à história dos que faziam aquele lugar pulsar. Dentre eles, o Aroldo.

O Aroldo é daqueles caras donos de uma timidez que parece não ornar com um espaço frequentado por gente doida. Gente performática, que se veste estranho, gosta de aparecer, gente que às vezes esfuzia demais ou sofre demais, porque os espaços teatrais são isso mesmo: puro suco das sensações humanas. Se você for blasè, é provável que nem repare na presença dele, de tão discreto. Mas é por causa dele que sua cadeira está posicionada para assistir ao espetáculo, a luz está afinada, as condições de segurança estão postas e por causa dele que você consegue entrar no teatro, já que será ele a recolher o bilhete na porta. Se olhar atentamente, após o fim de uma peça, não será incomum vê-lo de vassoura ou rodo na mão, para deixar tudo limpo e pronto para o dia seguinte. O Aroldo é o técnico do Goldoni. Mas já deu pra perceber que ele é bem mais que técnico, né?

Quando, no final de 2016, decidimos abrir a Casa dos Quatro (contei um pouco dessa história bem aqui), o espaço, que antes era uma igreja evangélica, precisava de uma reforma gigantesca. Vocês não tem ideia do que foi aquilo: tivemos de recuperar o piso da sala de entrada, instalar um novo na administração, bem como construir do zero um banheiro, uma cozinha, trocar as telhas por onde a chuva entrava livremente no ambiente de trabalho. A escada estava periclitante pois era encapada com tapete de borracha que estava soltando. O banheiro já existente, ouvimos de um amigo da turma do teatro: “é só entrar, já pegou candidíase”. A sala técnica e o espaço teatral eram de parede de textura e chão de contrapiso, havia tapumes fechando o que transformamos em janelas… Havia uma tubulação hidráulica aparente que até parecia interessante expôr, a princípio… Até que o barulho de água correndo por ela nos convenceu de que não, deveria ser encaixotada. E isso foi o básico: fizemos uma vaquinha pra construir a arquibancada de praticáveis da plateia, tivemos de instalar o cortinado para garantir conforto sonoro, e por fim fizemos o urdimento do teatro, que é todo o grid necessário, no teto, para a instalação das luzes que dão vida aos espetáculos.

E se eu te contar que cada um desses detalhes teve a mão, os pés e a alma do Aroldo?

Para não ser irresponsável com seu compromisso diário no Goldoni, o Aroldo montou uma equipe com seus parceiros, parentes e vizinhos, e se desdobrou em dois pra atender às demandas, nossas e dele, com a maestria de quem fala pouco e sabe muito. Hora de almoço no expediente regular? Era hora de passar na Casa dos Quatro pra checar os detalhes da obra. Terminou o expediente de lá? Bora ver a obra. Um dia, cheguei na Casa e lá estava Aroldo levantando uma parede de gesso por sobre a laje do banheiro novo, que ficava longe do telhado. Um buraco, que eu já havia me conformado que seria lugar de guardar treco que não estivéssemos usando. “Aroldo, isso não tava orçado, eu tô sem dinheiro pra esse gesso!”. Ele: “é por minha conta, chefe! Não consigo ver esse troço e deixar assim”. Não lembro se acabamos pagando, porque àquela altura já não tínhamos mesmo dinheiro algum, mas não é amor puro esse cara?

Confira imagens da obra, toda com a condução do Aroldo:

Como eu disse, a empresa familiar que o Aroldo criou para dar vazão ao curso de mestre de obras que ele havia feito (a ALÔ – de Aroldo Lopes de Oliveira), contava com parentes, vizinhos, cunhado, e muitas vezes a esposa, indo levar comida e dar suporte em muitos momentos.

:: Leia também: ajude na luta do Espaço da TAO Filmes para se manter de pé ::

E agora é que vem o drama

Eu precisava contar quem é o Aroldo pra vocês saberem que não é pouco difícil a situação que ele atravessa, neste momento.

Pouco antes de receber seu pedido de ajuda, havia lido que a empresa que gerencia as Spice Girls fechou 2020 faturando mais de 3 bilhões de reais. Uma banda que está inativa. E que contabilizava um prejuízo imenso, pois este ano havia faturado pouco mais de 200 milhões de reais – um tombo, comparados os anos.

Uma empresa que gerencia uma banda que está inativa. E sim, eu entendo pois sou do fandom, mas preciso falar sobre isso para entendermos a proporção dos que sofrem.

Na pandemia, o Goldoni fechou e Aroldo foi se virando como pôde, mas quem estava realmente sustentando as contas da casa era sua esposa, Diana. Ocorre que, do nada, ela começou a ficar doente. Isso faz nove meses, e agora, a situação se agravou mais, pois ela não consegue se sustentar em pé. Enquanto ela aguarda a perícia médica do INSS, precisa complementar exames cujos valores somam R$1.350 – ou seja, mais ou menos 250 libras dessas 40 milhões faturadas em 2021 pelas Spice Girls. Ainda tem os remédios e as contas da casa pra pagar, a cada dia mais difíceis. Eu, que comemorei o dia em que comprei meu vinil dos 25 anos de Wannabe, respirei mais aliviado ao receber o e-mail informando que a compra fora rejeitada (meu cartão havia provisionado o disco, mas extornado pq eu não ativei compra internacional). Já estava bastante no sufoco e aquele dinheiro, coisa de 200 e poucos reais, me fariam falta. Mas pûde pensar agora que tem gente precisando mais. Não foram pro Aroldo esses 200, infelizmente, porque eu nem tinha esses 200, eu tinha parcelado e era nessa coisa fictícia chamada cartão de crédito. Mas só de poder contribuir de alguma forma, já me senti fazendo o mínimo.

Se puder, faça o mínimo também. Pode ter certeza que histórias de técnicos de espetáculos em dificuldades se repetem aos montes, em todo o país – não à toa tem tanto artista fazendo live pra arrecadar 100% do dinheiro para eles – mas imagine a agonia de sua parceira, que sustentava as contas, ter de parar de sustentar, e ainda por esse motivo tão ruim?

Ajude o Aroldo

O Pix dele é (61) 9 9153-2021.

É qualquer quantia. Qualquer uma. Anda! E ainda arrume mais algum parente e amigo pra fazer o mesmo, porque já deu pra sacar o tamanho do drama, não deu?


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