Fabrízio Rubinstein lança música contra capacitismo e clipe com atletas paralímpicos

‘Capaz de Fazer’ manda um recado para o mundo: faça o que você quer fazer, não desista! Você pode sonhar e realizar os seus projetos. Muitas vezes, encontrará pedras pelo caminho, mas você dá conta! Supere-se para contar a sua história – diz Fabrízio

É meio canseira o papo da superação, quando narrado muitas vezes da mesma maneira. Pode reparar nas reportagens: a trilha sonora tem fundo sombrio/instrumental emocionante no início, as narrativas são pausadas e excessivamente poéticas. Destaca-se a tristeza, as portas fechadas, e de repente como numa epifania, encontra-se o esporte e a pessoa passa a superar os próprios limites e desafios. E vence. Ok, é lindo? Sim, mas chega uma hora em que o impacto esperado simplesmente não mais ocorre. E é por isso que iniciativas como a do músico Fabrício Rubinstein são tão legais: ele manda a letra com “não deixe que nada atrapalhe o que você é capaz de fazer” num clima leve, descontraído e ritmado pra cima. Uma festa, uma celebração.

E quando defendo isso de que é meio canseira o papo da superação, é por estar bastante ciente e assimilado do que Emicida (com Majur e Pabllo Vittar) diz em “AmarElo”: “permita que eu fale não às minhas cicatrizes. Elas são coadjuvantes. Não, melhor: figurantes que nem deviam estar aqui”. Saca? E o motivo: “se isso é sobre vivência, me resumir à sobrevivência é roubar um pouco de bom que vivi”, e que tanta dor rouba a voz e o que resta são alvos passeando por aí. Neste dia 31 de agosto de 2021, em que os nossos atletas paralímpicos brasileiros sobem pela centésima vez ao lugar mais alto do pódio desta competição, é representativo e urgente que se celebre a vida de pessoas com deficiência e que se normalize essas deficiências, não que se olhe para elas com aquela cara de dó tão típica do brasileiro que paga de empático.

Em contraponto a tudo isso o que disse, porém, vou contar um teco da história de um dos personagens do clipe, o Estevão Lopes, por motivo de: a gente vê esse clipe e fica curioso por saber quem é ele. Bom, a vida é cheia de contradições, então não sou eu quem vou dizer que não as cometo também. E o motivo é que: hoje ele considera sua vida muito melhor do que a que levava em 2012, quando tomou um tiro de bala perdida no Riacho Fundo (uma das cidades do DF) e ficou tetraplégico.

Além de desenvolver a modalidade esportiva, Estevão também ajuda outras pessoas com deficiência a alcançarem uma vida com mais qualidade. O resultado disso é a sociedade e a dedicação ao Capital do Remo, que hoje figura entre as maiores escolas de remo e canoagem paralímpica da América Latina. O investimento nas atividades esportivas trazem ganhos à vida de Estevão e também de quem o cerca, porque é a concretização de que o esporte muda, transforma e impacta vidas”

Andréa Fiuza Avesani, diretora do clipe

De lá pra cá, Estevão ganhou propósito na vida e tornou-se atleta da vela adaptada, paracanoagem, remo, viajou pra mais de 30 países, enfim: não é questão de romantizar a paraplegia, é questão de como se deu a abordagem dele sobre o episódio que transformou sua vida. Combina ou não com o som do Fabrízio?

Por falar nele…

Fabrízio é de Brasília. Se formou em Ciência Política pela UnB, em Direito pelo Ceub, mas olha ele aí lançando clipe e cantando, porque a vida, mermão, é trem bala, parceiro… Tem dessa de pensar que nascidos em Brasília estão determinados geograficamente a estarem no meio da política ou das leis, embora eu nem saiba se tô escrevendo alguma besteira – vai que o cara é um super consultor legislativo, cientista político dos grandões, além de ser músico? É que, pra este contexto do aqui/agora, o que vale é dizer de seus atributos musicais que: são bem legais e muitos, né? Aqui em Brasília ele já foi da banda Conexão C e tocou na peça “Colar de Diamantes”, dirigida por um dos grandalhões do teatro da capital, o André Amaro.

foto: Reprodução / videoclipe Capaz de Fazer


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