Secretário de Cultura do DF participa de live com Alexandre Ribondi hoje

Diretor teatral e dirigente público conversam às 20h nas redes sociais do Espaço Multicultural Casa dos Quatro

Era julho de 2016 quando eu e meu então vizinho, já amigo de infância, e diretor teatral Alexandre Ribondi, saímos com uma amiga pra tomar um vinho e só disse: porque você não abre uma escola de teatro? Ele rebateu: você toparia? Eu nem pestanejei. Imediatamente estava no plano a Elisa Mattos, produtora que dirigia a Oficina do Ribondi, e a Luísa de Marillac, atriz e amiga de longa data do mestre. Eu sequer a conhecia, mas o Ribondi a chamou para jantar na casa dele, passou o bisú, e assim que começamos o semestre de Oficina de Teatro (no Teatro Goldoni que tanta falta nos fará porque está fechando), eu e Luísa ficamos imediatamente amigos. Antes de terminarmos o semestre, estávamos com o espaço alugado e prestes a botar em funcionamento o sonho maluco de abrir uma casa de teatro num país em crise econômica. Mas foi desse jeito que nasceu a Casa dos Quatro.

Não foi fácil não, e de forma inédita vou colocar a galeria com fotos do local, da reforma imensa que fizemos, até sua abertura oficial em agosto de 2017. Mas uma das maiores dificuldades que encontramos neste processo foi percebermos que éramos nós por nós. Claro que tivemos uma enormidade de gente apoiando, iniciativas legais, diretores e diretoras indo conversar conosco, nos prestigiar, dar apoio, mas não é sobre isso o que falo: é sobre o desamparo institucional. O setor cultural é bastante carente de alicerce, mas pior do que isso é lidar com o descaso.

O secretário de Cultura, à época, era o Guilherme Reis. Pra não ser injusto, ele deu apoio econômico (como pessoa física, destaque-se) à vaquinha que fizemos para estruturar o espaço de teatro. Ele próprio tinha o teatro dele e, enfim, ainda hoje não esteve por lá. Eu e Elisa deixamos a Casa dos Quatro em 2018 e 2019, e vieram os novos dirigentes Rui Miranda e Rafael Salmona, mas o descaso dos dirigentes com locais como a C4 permanecem: veio o Adão, que pelo amor de Deus, foi até melhor que não pisasse na Casa dos Quatro mesmo porque não seria lá muito bem recebido. Afinal, sua gestão foi marcada por um calotaço no FAC e nunca abrir diálogo com a classe artística. Coube ao atual secretário, Bartolomeu Rodrigues, por exemplo, pagar o FAC caloteado por Adão.

Não é um encontro presencial, mas é a primeira vez que um secretário de Cultura do DF estará na C4, hoje, às 20h. E a relação que Bartolomeu construiu com a classe é diferente (e com isso não estou dizendo que estamos no céu de brigadeiro que estaremos quando eu mesmo for o secretário de Cultura do DF). A C4 conseguiu, por exemplo, acessar recursos da Lei Aldir Blanc para não sucumbir na pandemia. Significa que a gestão atual é bem melhor? Bom, eu não esperaria um mínimo de respeito do gestor anterior.

Galeria: a construção de um espaço cultural

Sob Bartolomeu ainda não saiu o Teatro Nacional de que tanto nos ressentimos todos os candangos. Mas já saiu o Museu de Arte de Brasília (MAB), coisa que outrora eu mesmo desacreditei que fosse acontecer. O Complexo da Funarte vai retornar para o GDF (estava há muitas décadas sob domínio federal, mas não podemos esperar que Mário Frias faria algo de positivo) e, provavelmente, vai ser bom. Então, ainda que considere que o Inganeis deveria ser preso por tantos motivos que não vou listar por responsabilidade jurídica (e saber que ele persegue jornalistas, como o faz com o Renato Souza, do Correio Braziliense, neste momento), considero o Bartolomeu bem mais razoável que vários dos que já sentaram naquela cadeira. E espero que seja uma prosa boa e produtiva.

Temos trabalhado bastante com montagens online como Virilhas e WC. E vamos ter oficina presencial, respeitando todos os protocolos. E estou pensando em montar “Dicionário das Coisas que Nunca Existiram” pra apresentação em espaços abertos: praças, quintais, estacionamentos…”

Alexandre Ribondi

Segredinho? Essa última peça aí, “Dicionário”, tem euzinho como ator… He he he.

Live dos 4

A Live dos 4 é um projeto que a Casa está fazendo durante a pandemia, sempre às terças, às 20h. Já foram debatidos temas como o movimento LGBTQIAP+ no DF, o patrimônio histórico, o Setor Comercial Sul… Vale a pena ficar de olho, os perfis são sempre @casadosquatro. Atenção, não confundir com Teatro dos Quatro. Este é no Rio de Janeiro, é mais antigo e tradicional e embora tenha nome quase igual, não tem ligação com o projeto daqui.

Alexandre Ribondi

Um dos projetos de que mais gosto no canal Drops Culturais no Youtube é o de prosas sobre as infâncias de pessoas incríveis como o Ribondi. Dá uma olhada ni como foi esse nosso papo:


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