Museu da Língua Portuguesa reabre com exposição ‘Língua Solta’

Depois de mais de cinco anos fechado por causa de um maldito incêndio, museu dedicado à Língua vai reabrir com exposição que une arte contemporânea e palavras

Foi terrível aquele 21 de dezembro de 2015. Mas, ao menos, não tínhamos alguém que respondesse algo como “já está feito, já pegou fogo, quer que faça o quê?”, como fez o então candidato e atual presidente do país em setembro de 2018, quando outro museu importantíssimo se viu em chamas, o da República, no Rio. Voltando ao 21 de dezembro de 2015. Poucos dias antes, o então presidente da Câmara havia aceitado iniciar o golpe branco contra Dilma. O clima geral era de tempo nublado, na política e na cidade de São Paulo. Mas uma possível chuva não impediu que o pior ocorresse no Museu da Língua Portuguesa, luxuosamente instalado na Estação da Luz, em São Paulo:

Foto: Daniel Mello/Agência Brasil, quando do incêndio em 2015
Mas ele está de volta!

A partir de 31 de julho, ele reabre com a exposição Língua Solta. Com curadoria de  Fabiana Moraes e  Moacir dos Anjos, a mostra revela a língua portuguesa em seus desdobramentos na arte e no cotidiano, por meio artefatos como objetos da arte popular e da arte contemporânea. 180 peças compõem a exposição. Já de cara, “Eu preciso de palavras escritas” – o manto bordado por Arthur Bispo do Rosário (artista performático que bordava, em seus mantos, o que pretendia ser o inventário de tudo o que existe – ele viveu por anos num sanatório).

:: Escrevi sobre o Bispo do Rosário em 2008, aqui! ::

Manto da Apresentação de Arthur Bispo do Rosário

Estandartes de maracatu rural, trazidos de Pernambuco; mural  Zé Carioca e amigos (Como almoçar de graça), de Rivane Neuenschwander (em que o público pode escrever e desenhar em giz o que lhe passar pela cabeça naquele momento) são mais algumas das obras. Cartazes de rua, cordéis, brinquedos, revestimento de muros e rótulos de cachaça se misturam em todo o espaço às obras de Mira Schendel, Leonilson, Rosângela Rennó, Jac Leirner, Emmanuel Nassar, Elida Tessler e Jonathas de Andrade, dentre outros artistas contemporâneos. 

A língua é solta porque perturba os consensos que ancoram as relações de sociabilidade dominantes, tanto na vida privada quanto na pública. Incorporada em imagens e objetos diversos, ela sugere outros entendimentos possíveis do mundo. E tece, assim, uma política que é sua”  

Moacir dos Anjos, curador

A gente entende que a língua é um espaço de disputa de poder e vai se refletir em questões várias do Brasil – de raça, de classe, de gênero e de geografias”

Fabiana Moraes, curadora

Os curadores destacam a obra de Maria de Lourdes, caruaruense, evangélica, que vende livros artesanais datilografados por ela mesma, a menos de R$ 1,00. Maria circula com um crachá com seu nome e a profissão autodeclarada de escritora pelas ruas da cidade, pouco preocupada com as estruturas culturais e mercadológicas que costumam chancelar quem pode ou não dizer-se escritor – numa forma involuntária de quase-protesto. Demais, né? Tô doido pra ir.

foto: Wikimedia Commons / CC


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