Hoje é 1º de julho: parabéns, Chico Chico, filho de Cássia Eller!

Não, hoje não é o dia de seu aniversário, mas é inegável lembrarmos dele na data hoje. “1º de Julho” é a música que Renato Russo fez pra Cássia e que celebra a vida de Chico

Talvez seja meio bobeira te dizer pra ir conhecer o novo trabalho do Chico Chico, ou pretensioso demais, porque afinal você pode já ser franco/a conhecedor/a de sua obra. Todo modo, tamo aqui é pra espalhar coisas lindas nessa vida. E tipo… Todo filho de artista tem um pouco de ranço das comparações com seus pais, ainda mais quando se trata de gênios como Gilberto Gil, Elis Regina e João Nogueira. Mas o Chico Chico que me perdoe: ouvi-lo é uma experiência quase que epifânica, quase que como ganhar a oportunidade de ouvir um pouco a sua mãe – ao menos, sentir a formidável presença daquela mulher. Eu não tô mentindo, ó:

Essa ele lançou há pouquíssimo mais do que um mês. E as duas anteriores foram lançadas, respectivamente, há dois e há três meses. Ou seja: deve aparecer mais coisa por agora.

1º de Julho

Em 1993, Cássia estava grávida, esperando Francisco, quando Renato Russo a presenteou com “1º de Julho”. Chicão (antes de adotar “Chico Chico” como nome artístico, em 2015, era como era conhecido, apelidado pela Cássia) nasceu só no final de agosto e o motivo pelo qual a música se chama 1º de Julho eu faço nenhuma ideia, mas é das mais fortes declarações de amor já musicadas, ainda mais esse amor tão visceral que é o de mãe pra filho. Além de ser um hino feminista, “sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher, sou minha mãe, minha filha, minha irmã, minha menina, MAS SOU MINHA, SÓ MINHA, E NÃO DE QUEM QUISEEEER / SOU DEUS, SOU TUA DEUSA MEEEEEEEEU AAAAAAMOOOOOR!!!” (sim, a transcrição necessariamente tem de iniciar em minúsculas, passar pra maiúsculas e depois pra maiúsculas negritadas, caso contrário não deixa transparecer a emoção de entoar esses versos).

Sei que Chico Chico tinha só oito anos quando ela se foi, mas deu tempo de beber da fonte de sua musicalidade. No ano em que Cássia morreu, 2001 (um triste 29 de dezembro), ele experimentou um bocadinho de sua energia no palco, tocando percussão no show dela pra mais de 200 mil pessoas, na terceira edição do Rock in Rio. A música também foi um pedido dele, Smells Like Teen Spirit, do Nirvana. Tá tipo aos 3’40”:

Inspiração pra toda a vida

Cássia era artista nata e dona de uma timidez implacável. Sua estreia nos palcos se deu pelas mãos do diretor Alexandre Ribondi, no espetáculo musical Gigolôs. Ribondi conta que a tarefa “foi fácil porque essa mulher tinha uma voz atordoantemente bela. Difícil foi colocar ela de vestido longo e salto alto, que era a mesma coisa que vestir assim um jogador de futebol”, brinca. Eram bons amigos. “Anos depois, eu estive com ela e a gente voltou a falar em montar outro espetáculo. Chegou a trocar email sobre o assunto, mas aí ela morreu”, lamenta.

Fiz um episódio do podcast Disco de Segunda sobre “Participação Especial”, um disco dos duetos (os muitos duetos) que ela fez em vida. Ouça:

Chico Chico tem inspiração pra toda a vida! Falei mais sobre a mãe que sobre o filho aqui porque, confesso, conheço mais a obra da mãe. “É do meu tempo”, rs. Mas é uma forma de também dizer que o trabalho dele encontra acolhimento e aconchego nos ouvidos de quem ama muito essa mãe.


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