Péricles tá ON na causa LGBTQIA+ e lança canções seguidas com As Baías e Liniker

Pagodeiro faz feats com ícones da comunidade LGBTQIA+, dá chute em paradigmas preconceituosos e marca golaços musicais

Em maio de 2008, um dos maiores ícones do futebol mundial se viu no epicentro de um escândalo: saiu com duas garotas de programa transexuais e tentou dar um calote nelas. O escândalo não foi o fato de um dos homens mais ricos do país, naquele momento, tentar passar a perna em duas garotas que estavam trabalhando e não o obrigaram a fazer programa nenhum: estava no fato de o caso ter tirado um ídolo do futebol de um armário. Sim, porque ainda que tenha sido um sexo ocasional, era história que ficaria pra sempre guardadinha no armário, caso não desse o rebú que deu.

O fato é que sempre foi inadmissível que ícones da masculinidade, tais como jogadores de futebol e pagodeiros, se envolvessem com transexuais, mulheres gordas, outros homens. Exemplos: Jorge Lafond (ator andrógeno que viveu a eterna Vera Verão) namorava um jogador de futebol. Deise Cipriano (a vocalista principal do Fat Family), idem. Alguém desconfia quem eram os jogadores? Mais recentemente Jojô Toddynho revelou um namoro com um jogador do São Caetano: dois dias depois, rompeu por descobrir que ele tinha outra. Quem se deu bem? Ele, que saiu fazendo publicidades diversas na internet (as marcas, pelo visto, não aprendem).

Todo este prólogo foi pra dizer que quando alguém como Péricles grava com As Baías (grupo que antes se chamava As Baías e a Cozinha Mineira e tem como vocalistas duas mulheres trans) e com a Liniker (queer), ele desmonta um mundo de machismos, homofobias, transfobias. E ainda nos presenteia com canções maravilhosas.

Bom, usei exemplos futebolescos, mas não preciso justificar a relação que há entre futebol e pagode, preciso?

Primeiro Beijo

Na verdade, aqui a canção é d’As Baías e o feat é o Péricles. Do ano passado pra cá, elas também gravaram com Cléo, Linn da Quebrada, Xand Avião e Ivete Sangalo. No show que fui, delas, em 2016, na Festa Literária de Parati (Flip), elas contaram que Raquel foi pra Bahia cantar axé. Fato é que ela e Assucena cantam lindamente MPB, mas com esses feats demonstram que cantam lindamente é tudo mesmo. E foi a primeira vez que ouvi a voz do Rafael, que antes só fazia a “cozinha” da banda mesmo (não conheço tanto o repertório pra saber se ele já cantou alguma outra vez).

O melhor do mundo

Aqui o feat é a Liniker, e o tema é, novamente, beijar. Outra dessas que tem potencial pra adentrar mentes e grudar que nem chicletinho, mas chicletim de boa qualidade. Ouve, ouve!

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