Ralfe Braga: da Linha do Equador para os Traços do Arquiteto

Na segunda reportagem da série que fiz para a GPS|Lifetime sobre os artistas visuais de Brasília, um gênio da cor: o amapaense Ralfe Braga

As lufadas de ar quente do sábado de manhã que marcamos para estar no ateliê dele dominavam a sensação térmica do brasiliense. Mormaço de um fim de março sem águas fechando o verão, apenas calor. Que dura até a entrada do sítio Dona Nelita, cravado no final de uma das ruas do Lago Oeste e tendo a Reserva Biológica da Contagem à espreita, o que torna tudo mais fresco.

A manhã foi cuidadosamente escolhida pelo entrevistado, que também vive de publicidade há 40 anos e, sendo diretor de arte, sabe bem que é o horário da melhor luz para as fotos. O sítio, comprado há 25 anos, é fruto de um retorno ao Brasil, após dias em Miami e um conselho precioso: “sua arte é universal e aqui você será reconhecido, mas está disposto a esperar 20, 30 anos? Volte ao seu país, mande suas obras para cá. Lá, você é um cidadão”.

Veio da senhora, dona de uma microgaleria, que o olhava com brilho nos olhos e beijava sua mão. “Sabe quem é ela? Uma das maiores críticas de arte dos Estados Unidos, que se aposentou e abriu este espaço. Nunca a vi beijar as mãos de ninguém”, alertou o funcionário do local, após a conversa. Resolveu, então, frustrar os planos de viver na Flórida ou em Nova Iorque e voltar ao Brasil e à Brasília.

Estabelecer-se no Lago Oeste, junto de um dos nove irmãos, garantiu não só o ambiente arejado para a criação, mas o espaço adequado para a instalação do ateliê, da casa e de um território de afetos. Nos dois hectares há uma cruz imaginária que transforma o sítio em quatro terrenos, onde moram ele e sua família; o irmão na casa mais à frente; e o sobrinho, na moradia de traços modernos, ao lado da casa da frente. Ralfe Braga ficou com o terreno mais ao fundo, o que permitiu uma discrição que também orna muito bem com a ideia de sua criação e de sua própria personalidade.

Amapaense, 62 anos, está feliz. Teve cinco filhos – a mais velha, a única a seguir sua trajetória pelas artes e o mais jovem ainda vivendo a adolescência, aos 15 anos – e três casamentos, sendo três filhos do primeiro e dois do último, nenhum do segundo. Colore a cidade há tempos, e não se cansa de gostar de Brasília. 

“Para mim é uma tela em branco. É como se o movimento das pessoas colorisse essa tela todos os dias“, define.

 O despertar do artista

Quando deixou Macapá, jovem, buscava uma cidade onde pudesse estudar arte. “Desenho desde a mais tenra idade, e era o tempo todo. Meus irmãos brincando, eu desenhando”, conta. “Queria estudar, foi quando vim a Brasília”. Chegar à capital deu a Ralfe uma nova perspectiva sobre cores, luz, sombra, traços.

 “Tenho o privilégio de ter saído do Norte, onde as cores são fortes e a floresta é fonte de inspiração, e encontrado o Cerrado, um Planalto de traços retos e céu amplo e claro”, constata.

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