GDF dá golpe mortal no FAC: “artistas não gostam de mim”, diz Ibaneis

Numa justificativa pra lá de infantilóide, quando questionado sobre o corte no Fundo de Apoio à Cultura, o governador do DF, Ibaneis Rocha disse que o faz por vingancinha. Adão, aquele da qual nem Tieta nem o setor cultural foram feitos, dá golpe mortal no Fundo, ao exonerar equipe.

Vamos entender o que é esse imbróglio chamado “corte do FAC” com o que diz a Lei e um tico de boa vontade. Só um tico, portanto minha resposta a quem comentar sobre este texto falando “ai, mas a situação nos hospitais” depois de ler o título tá automaticamente desligado do debate – a paciência anda -64 pra esse povo. Pra começar, estamos falando de 500 projetos contemplados a partir de critérios técnicos claros e objetivos, e de pelo menos 30 mil empregos, diretos e indiretos. Quer mais? Voilá:

1 – Pra quê existe o FAC?

Pra financiar o setor cultural e criativo no Distrito Federal. Conforme já demonstrei nesse post aqui, a Lei Orgânica do DF (que você também pode chamar de Constituição do DF) determina que 0,3% da arrecadação seja destinada a este fundo. OU SEJE, aquela fulana que veio comentar que “ai, mimimi, a saúde”, precisa se informar, porque

pelo amor do Pai, de uma vez por todas, quem financia a saúde do DF é outro fundo, o chamado FUNDO CONSTITUCIONAL, uma granONA que a União destina ao Distrito Federal para financiar essa área e também a Saúde e a Segurança Pública!

Que saco! E segundo reportagem da Agência Brasília, de dezembro do ano passado, o Fundo Constitucional do DF prevê estes dinheiros pra 2019: R$ 8 bilhões pra segurança pública, R$ 3,3 bilhões pra saúde e R$ 2,9 bilhões pra educação.

ENTENDEU AGORA?

Ano passado, o FAC executou R$55,1 milhões. Então NÃO É GRANA DA SAÚDE, TALKEI? Os hospitais estão ruins? Sim, um lixo. Mas é outro money, vai lá encher o saco do secretário de Saúde para ele executá-lo bem, se quer fazer algo de realmente útil nessa sua vidinha medíocre de comentarista de redes sociais!

2 – Mas pra quê que o setor cultural precisa de financiamento público?

Pelo meeeeesmo motivo que a saúde e a educação precisam. Sabe aquele livreco que anda bem desprestigiado por quem curte muito um Jair da vida, aquele chamado Constituição Federal? Pois então, tá lá, no artigo 215, que

“o Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais”.

Constituição Federal do Brasil, 1988

ENTENDESTES?

Então, fi(a, ão, ona, x): é seu direito usufruir de Cultura e o Estado tem o DEVER de prover você disso.

Artistas do DF, em protesto contra os cortes no FAC, fazem intervenção no Teatro Nacional. Fotos: Juliana Caribé

Aí li outro comentário, no G1, falando “mas tudo aqui é caro, tem nem emprego pra todo mundo, que dirá usufruir de cultura”? MARROM, MEU FILHO. Caro é ir no Na Praia – que, por sinal, é evento privado e não tem money do FAC envolvido. Caro é ir no Festival Villa Mix (e ainda assim, olha lá o SUCESSO de público que foi). Vê a programação do Sesc: nunca passa de 20 reais a inteira. Te dou 800 opções ao valor de 0800 pro seu fim de semana, se quiser. MAS, tem bem mais dessas opções se tiver FAC.

Como ator e produtor cultural, só eu sei o tanto que a gente PENA pra encher uma casa de 50 lugares como a Casa dos Quatro – que dispõe de um teatro com esse número de cadeiras e que eu fundei com outros três migos. Então, na boa? Você, do comentário do G1, não acha cultura legal não: você acha RECLAMAR muito legal e só.

3 – PQ O GDF TÁ DANDO O CALOTE?

Porque: sim. Porque: mau caratismo. Porque: quer vingancinha.

Se tem uma coisa que já deu foi o Ibaneis ficar falando e prometendo e aparecendo na televisão. Tá um porre o número de promessas não cumpridas, o imenso gogó pra dizer que tá fazendo e acontecendo, e na prática… Bem, na prática, hoje tivemos a 13ª vítima de feminicídio no DF. Então não, não tem nada bem no Palácio do Buriti também.

Adão, o secretário de Cultura, deu uma desculpa burocrática para dizer que a grana não vai rolar. Quando os artistas pressionaram pra receber o money, o Ibaneis disse que artistas não gostam dele. Sério, que preguiça. E pra jogar a sociedade contra os artistas, eles disseram que “mas gentee, vamos usar a grana pra reabrir o Teatro Nacional!”. Só que não é pra isso que o FAC existe, seus cara pálida. Se virem e vão reabrir o Teatro com outra grana – e deixem essa para que os artistas se encarreguem do motivo do próprio Teatro existir: peças, shows, concertos, espetáculos, exposições.

4 – E as providências?

A questão será judicalizada em breve, enquanto isso seguem as mobilizações de sempre: piquetes, piqueniques, intervenções, etc – ações que buscam sensibilizar a sociedade. No meu texto anterior, até brinquei que é preciso parar de fazer ciranda e ir à Justiça. Me corrijo: uma coisa não anula outra.

Olha o protesto do maestro Rênio Quintas!

5 – E o Adão?

Após o Conselho de Cultura recomendar o afastamento do Adão, ele hoje veio com mais uma gracinha: no canetão, demitiu a galera que faz a gestão do FAC dentro da Secretaria. Certamente esse pessoal estava pistola com essas decisões do Adão e ele falou: “ah éééé? todo mundo embora, cambada!”.

No Diário Oficial do DF de hoje… =(

Afrontosa ela, né? Adão, chega. Vaza desse cargo, pra ele você não presta, véi. Na boa.

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