foto: Wilfredor / Wiki / CC

Livraria Cultura ‘tá titi’ depois que funcionários a descortinaram

Em nota infantil, rede livreira diz que o que os funcionários revelaram na semana passada “é tudo mentira”. Faltou dizer que “vai contar tudo pra mamãe”

Seguinte: apenas um lugar no mundo todo, destinado às compras, me comovia a deixar o conforto do meu lar e gastar uns bons dinheiros: a Livraria Cultura. Cansei de sair de lá com quatro, cinco livros a mais do que o esperado por indicação dos ótimos vendedores. Quem é fã de lá, sabe que ela anda beeem caidinha nos últimos tempos. Tudo uma bagunça, falta de livros, uma pessoa por caixa, etc. Meu nível de dó: – 64. O fato é que, semana passada, um grupo de funcionários denunciou o que quem tem um mínimo de sensibilidade já desconfiava, vendo o caos dos últimos tempos: trabalhar lá tava uma bosta. E em resposta…

Motivos da minha dó ser tão abaixo de zero me inspiraram a fazer uma lista:

1 – “Cultura não precisa de ministério”, disse Pedro Herz

À coluna da Sônia Racy, em 2017, li com certo choque o que o presidente do conselho da Cultura opinava (era o rescaldo da discussão sobre a extinção do MinC, após Temer) sobre políticas públicas de cultura. Pasmem, foi isso:

A maneira de fazer política está errada. No meu entender, cultura é a maneira que eu tenho de enriquecer o meu saber. Que saber eu tenho pra ser enriquecido se eu vou tão mal na escola? Para que precisamos de um Ministério da Cultura? Melhor ter um bom ministro da Educação para ter gente que lê e depois falarmos de cultura. Fazer essas tais de Viradas Culturais no Brasil inteiro… o que elas trazem? Nada. Bebedeira. É muito mais virada etílica do que qualquer outra coisa. É uma ofensa à palavra. Elas não trazem nada.

Pedro Herz, Livraria Cultura

2 – O PT destruiu a minha vida

Fazendo a Barbie Fascista, Pedro Herz deu uma declaração, nessa mesma entrevista, que me chamou atenção:

Houve uma somatória de desmandos que aconteceram e que surgiram com a entrada do Lula no governo. O País se desarranja já naquela eleição. Eu lembro que o dólar disparou, diziam até que nossas casas iam ser invadidas e todas aquelas histórias. São muitas coisas somadas ao mais grave: o custo Brasil. A máquina estatal brasileira faliu. Se fosse possível privatizar o Estado, eu diria que essa é a solução.

Pedro Herz, Livraria Cultura

Daí eu puxei bem da memória e me lembrei que comecei a frequentar a Cultura, em Brasília, em 2005, plena era Lula. Oi, migs? Daí, fui fuçar e… Quase a totalidade das lojas da rede foram instaladas no país entre os anos 2003 e 2013. Plena era “PT no Poder”… Acha que é fake news? Então olhe este link, direto da fonte, e tire suas próprias conclusões:

https://www.livrariacultura.com.br/hotsites/2017/70-anos/nossa-historia#2000

Para ler na íntegra a entrevista mais boçal de todos os tempos:
https://cultura.estadao.com.br/blogs/direto-da-fonte/para-livreiro-pais-precisa-de-educacao-que-funcione-e-cultura-nao-precisa-de-ministerio/ (garanto: depois de ler essa entrevista não será possível esperar desse cidadão nada além do que os funcionários denunciaram)

3 – Duas migas já trabalharam lá e dizem o mesmo

Uma foi vendedora, aaaanos, é escritora, é apaixonada por livros. E relata exatamente o que os atuais funcionários dizem. Ela pegou a transição. Outra, produziu uma peça que fez temporada no Teatro Eva Herz do Iguatemi Brasília. Diz que foi das experiências mais escrotas possíveis, “me internem”, pediu, caso soubéssemos que ela tornou a fazer peça ali.

4 – Não só as migas… Um tantão de gente mais!

É só ler os comentários da postagem em que a Cultura senta na cadeira do vitimismo e tire suas conclusões. Eis alguns:

Enfim, hora de ser maduro, povo que dirige a Cultura. E dar um vazare. Pra entender direitinho o que é que tá rolando:

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