Sandy e Junior de volta: cinco motivos para o frisson

Este foi tema de conversa com dois amigos, em grupo de WhatsApp. Tenho 34 e todos estamos na mesma faixa etária, menos a que estava mais categórica ao dizer que esse frisson é modinha – ela tem 38. Resolvi, então, elencar alguns dos motivos que me vieram à cabeça e que podem responder tudo isso:

1 – O que é imortal não morre no final

Sandy e Junior completam 30 anos de carreira este ano. Bom, eu tinha quatro e eles já estavam trabalhando. 30 – 12 = 18, porque há doze eles pararam de cantar juntos, então foram 18 anos em atividade. Tempo mais que suficiente pra chegarem a uma enoorme escala de fãs, que iam da infância à adolescência. Encerraram a dupla com repertório jovem/adulto (Turu Turu) e mantiveram cativo um público com a idade aproximada da deles próprios (faixa dos 23, na época), ou seja… Em 2007, quando encerraram, eles tinham fãs dos 10 aos 25 anos. É muita gente.


Fiz uma playlist no Spotify pra quem quiser ir indo testando probabilidades de setlist do show :

2 – Vamo pulá, vamo pulá, vamo puláááá…

Brasileiro é escandaloso e frenético e quando é fã, é fã cabuloso mesmo. Hoje em dia a molecada tá fritando pelos coreanos do tal K-Pop, que não faço a mais puta ideia do que cantam ou de quem são, mas deixa unzinho deles chegar aqui no Brasil pra cê ver se imediatamente não aparecem milhares de fãs pra arrancar os cabelos – delas e deles… E sempre foi assim, sempre será. Lady Gaga, Madonna, Justin Bieber, Backstreet Boys, Michael Jackson, todos tiveram seus momentos de ter de enfrentar a fúria do bem do povo fanático do país.

3 – Não dá pra não pensar em você

Hora de elencar números, que são lacradores e arrasianes, portanto segura esse forninho que é a fábrica de sucessos, discos vendidos e dinheirinhos chamada Sandy e Junior: o único disco que eles venderam menos de 310 mil cópias foi o Acústico MTV, de 2007, quando já se vendia online e se baixava muita música. O primeiro número aqui (310 mil) é a marca das vendas do primeiro disco deles, de 1991. “As Quatro Estações” tem diamante duplo (2,5 milhões de cópias) – e o “Ao Vivo” deste disco também foi prensado e atingiu as três milhões de cópias. Em 2000 e em 2001, apareceram em segundo e em quinto lugar na lista de discos mais vendidos do Brasil (ranking da Associação Brasileira de Produtores de Discos) e vou bem parando por aqui porque já deu pra perceber, certo? Falar deles é falar de números altos.

4 – Meus pés saíram do chão

O Rock in Rio 2001 foi o retorno de um festival que não ocorria no país há mais de uma década. Que, por sinal, tinha o passivo dos dez anos anteriores a apresentar aos brasileiros, então era preciso montar um line-up verdadeiramente fuderoso. Uma galeera criticou a escolha de artistas pop, à época, como que reivindicando o festival para algo mais purista do rock. Tipo, o RiR fazia isso desde a primeira edição, mas enfim. Teve essa manifestação de defesa ao puro e inabalável e inatingível bom e velho rock’n roll.

Olhos virados pra cima. Fato é que Sandy e Junior se apresentaram no dia do pop teen, logo após o Aaron Carter (o irmão mais novo do Nick Carter, do Backstreet Boys, pentelhérrimo) e mostraram a quê vieram: reuniram apenas 250 mil fãs, público que muito roqueiro consagrado jamais sonhou em conseguir reunir.

5 – Quando ele te tocar não tem pra onde você fugir…

Memória afetiva é memória afetiva e vou dar um exemplo do pq que eu iria FÁCIL ao show – claro, não comprei ingresso (veja o motivo na reportagem que editei, dia desses, na TV Brasília, a seguir), nem passaria qualquer espécie de perrengue pra isso. Eu gostei, sei lá, até “Power Rangers” de Sandy e Junior, e nada além disso me apeteceu. Mas as músicas viviam tocando lá em casa, com os cds da minha irmã. Lembro dela e as amigas disputando quem dava conta de cantar o último “imortaaaaaaaaaaaaaaaaaaaal” com o fôlego da Sandy. Mas eu me amarrava no seriado deles, o que me fez aprender várias músicas. Eles ainda fizeram novela, e eu sempre fui noveleiro. Ou seja, várias foram as formas de contato que eles criaram com toda uma geração. Então, é iwsson. Tão de volta, desse jeito:

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