E o Pólo, hein?

foto: Júnior Nobre/Jornal de Sobradinho

foto: Júnior Nobre/Jornal de Sobradinho

Vai continuar como está: às traças. Este foi o recém anúncio do governo local sobre o destino do Pólo de Cinema e Vídeo do DF, em Sobradinho. Idealizado para construir na cidade uma indústria cinematográfica refencial no país, o local hoje está em ruínas – o próprio secretário de Cultura do DF, Hamilton Pereira, reconheceu isso bem aqui – e, se servisse de locação para um filme qualquer, melhor que chamássemos o Zé do Caixão para a direção.

As desculpas ultrapassam o limite do ridículo e do esfarrapo. Diz o governo que remanejou a verba para reformar o local, orçada em voluptuosos R$80 mil (só uma pontezinha sobre o rio que corta a EPNB custou mais de R$2 milhões aos cofres públicos), foi remanejada para o pagamento de passes-livres-estudantis (meu Deus!), e que as ações de Cultura previstas para esse ano se concentrarão na reforma do Cine Brasília. Quer dizer: espaço pra exibir, nós teremos. Para fazer, que é bom… não!

Uma falta de respeito que salta aos olhos é ver a situação daquele local. Um espaço enorme, com um galpão sem telhas e equipamentos, poucos, pra lá de defasados. Mais vergonhosa ainda é a política de estímulo ao uso do local – política que jamais existiu. Bora comparar?

Ano passado, acompanhei um dia de filmagens do filme Faroeste Caboclo (leia aqui), cujo orçamento era considerado baixo para um longa. Parte dos recursos fora conseguida com o FAC-DF (nosso mecanismo de acesso a recursos públicos) e outra parte, pelo edital de Cinema de Paulínia (SP). Sabe porquê a maior parte das cenas do filme tiveram de ser gravadas lá? Por previsão do edital.

Hoje, toda e qualquer produção que ganhe o edital da cidade é obrigada a ter, pelo menos, 60% das filmagens, no Pólo de Cinema de Paulínia. Justificativa? Estimular o uso do local, que gera desenvolvimento e renda para a cidade. Certos eles, errados, nós. Pelas nossas regras atuais do FAC, além de não ser exigida qualquer contrapartida que movimente nossos equipamentos públicos de cultura, o produtor ainda se lasca em zilhares de barreiras burocráticas impostas pelo edital do FAC/DF, enquanto que o de lá, é simplificado e adequado à realidade dos realizadores de cinema.

A cidade que abriga o mais antigo Festival de Cinema do país e que possui uma plateia bastante crítica, que tem tradição e escola de cinema, contando com diretores e realizadores de larga envergadura no cenário nacional e também iniciantes criativos e cheios de ideias precisa de mais respeito.

Ficou pra 2013 a promessa de dinheiro para a reforma do Pólo. Primeiro, temos que ver se 2013 realmente existirá. Depois, será mesmo que vai rolar? Não haverá mais passe livre estudantil, no ano que vem? Dúvidas e mais dúvidas… Respostas, poucas.

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Um pensamento sobre “E o Pólo, hein?

  1. Esse governo está uma esculhambação. Se bem que não é só esse… A cultura escanteada, como sempre, principalmente nas satélites. Sobradinho, Ceilândia, Riachos Fundos… Cadê biblioteca, cadê teatro… O direito ao lazer, educação e cultura são enfeites no art. 6o da CF. Sem contar o Espaço Cultural Renato Russo, berço da arte de Brasília…

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