Musicoterapia: canções para além da vida

Em janeiro, uma das principais cantoras americanas de todos os tempos calou-se para sempre. Etta James foi vítima de uma leucemia terminal. A morte de Etta me fez refletir sobre a safra de cantoras, que como ela, expuseram seus sentimentos, suas dores e suas vidas por meio da música. Será que hoje temos gente que cante o sofrimento de forma tão intensa quanto Etta James, Billie Holiday, Nina Simone, Edith Piaf, e tantas outras de outros tempos?

Etta James estava no limiar entre o soul, o blues e o jazz. Os dramas pessoais que enfrentou desde a infância a levaram ao vício em drogas na década de 1960. Pelo menos duas décadas foram necessárias para que ela conseguisse sair dessa. Além do problema com drogas, ela teve muitos problemas de peso e chegou a fazer shows em uma cadeira de rodas. Após uma cirurgia, perdeu cerca de 90 quilos.

Billie Holiday é outro exemplo de cantora fantástica com vida problemática. Menina americana negra e pobre, Billie passou por todos os sofrimentos possíveis. Foi violentada sexualmente por um vizinho, trabalhou lavando o chão de prostíbulos e até se prostituiu. Na década de 1940, apesar do sucesso, Billie sucumbiu ao álcool e às drogas, passando por momentos de depressão. Morreu após uma overdose.

Não são apenas as cantoras americanas que tiveram uma vida difícil. Edith Piaf, ícone da música francesa, expressava claramente sua trágica história de vida em suas músicas. Piaf tinha saúde frágil e sofreu (muito mesmo) por amor. A cantora de La Vie en Rose, que era viciada em morfina, morreu aos 47 anos.

No Brasil, a cantora Maysa, também conhecida como cantora de fossa, teve sérios problemas com alcoolismo. O efeito de anfetaminas somado à ingestão excessiva de álcool e ao cansaço físico e psicológico que a cantora vinha sofrendo teriam provocado o acidente que a vitimou na ponte Rio-Niterói.

Essas cantoras são exemplos de que o sucesso e o dinheiro não são o principal na vida de uma pessoa. Algumas conseguiram superar seus vícios e traumas, outras sucumbiram. Voltando à pergunta inicial, será que hoje temos alguém que cante, ou melhor, se expresse, dessa forma? Sinceramente, não sei. Acho que a tal “pegada pop” tirou um pouco do sentimentalismo da música. Hoje, tudo tem de ter um apelo comercial.

Acho que quem chegou perto do original foi a finada Amy Winehouse. As música (e os dramas pessoais) expressavam o que ela sentia, ou seja, sua recusa constante a ir à rehab (rsrsrs) e as dores de amor (provocadas pelo marido Blake)! Há também a diva do momento Adele. O público se identificou muito bem com as músicas sobre sofrimento amoroso. Quem nunca cantou o refrão de Someone like you?

Mesmo assim ainda falta algo. As divas do Jazz, Blues e Soul comeram o pão que o diabo amassou, mas conseguiram brilhar e entrar para sempre na história da música. Suas vozes jamais serão esquecidas.

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Em 25 de janeiro, Daniella Jinkings escreveu essa coluna, com seus desabafos sobre a morte de grandes cantoras e as relações delas com o álcool, as drogas e problemas fulminantes enfrentados por elas. Em 11 de fevereiro, morreria Whitney Houston, vítima de causas perturbadoramente desconhecidas até o momento… Resolvi publicar essa coluna agora, do jeito que está, sem revisão. E, sem que ela saiba, lanço agora o desafio: o que ela tem a nos dizer sobre Whitney?

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