Mafalda Beatles e outras estéticas

Mafalda Beatles. foto: minha.

O texto de hoje não vai ter nada a ver com a agenda cultural da cidade. Sorry. Recebi pelo twitter do Henrique Fróes, um amigo que foi meu professor, um excelente artigo de Alcir Pécora que questiona o papel da literatura contemporânea e, mais do que isso, a classifica sofredora de um vírus de irrelevância.

O texto meu deixou com várias pulgas atrás da orelha e pôs o dedo numa caixa de maribondos internos que agora zumbem aos meus ouvidos. Uma das sentenças que me deixou mais intrigado: “O atual democratismo inflacionário das representações tende a menosprezar o domínio técnico”.

Esse “democratismo inflacionário” que ele cita é o fato de que, com a ascensão dos blogs e reality shows, a narrativa literária (portanto, alto domínio técnico), deixou de ser prioritária. Graças aos blogs e realitys, em que ocorre “uma impressionante expansão das narrativas no cerne da própria existência”, todos se sentem seguros e interessantes o suficiente para criar narrativas sobre si, e que gerariam o interesse dos demais.

Viagens, afinal, esse texto é classificado na categoria “Psicoestimulantes” do blog.

O fato é que o texto continua a ressonar na minha cabeça, especialmente depois de ler, no blog do Moa (outro blog da Meiaum), o comentário dele sobre a última bobagem dita pelo Lobão. Ao contrário do Moa, eu gosto do Lobão e de boa parte de sua verborragia. Às vezes, ele fala besteira, como esta, em que, ironizando a esquerda brasileira, disse que há gente que arrancou umas unhas durante a ditadura e agora é chamado de torturador.

O Lobão, verborrágico, é cheio de atitude. Mas, bem lembra o artigo de Pécora, “atitude resolve o problema do roqueiro, não resolve a questão da literatura”.

A que conclusão chegar? Bom… Bom mesmo é misturar Quino e Beatles. O resultado é essa Mafalda Beatles que eu ganhei ontem, em forma de imã, vinda de Buenos Aires. Resume  e sofistica as várias estéticas demandadas por mim, no campo literário, no campo musical, no campo visual… na contemporaneidade: bem na minha geladeira.

O artigo é este: “Impasses da literatura contemporânea

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3 pensamentos sobre “Mafalda Beatles e outras estéticas

  1. Morillo querido, não consigo concordar… penso penso penso e fico sempre encontrando tanta gente boa e nova… Os africanos, portugueses, os brazuquinhas… muita gente boa, baby. Me parece mais um desabafo um tiquinho rancoroso “academicista”. Não precisa fazer força, nem gastar muito dinheiro pra descobrir gente boa da nova safra. Talvez seja preciso um pouco de generosidade, de abertura, de estar com os olhos bons pra ver O novo, sabe?
    Fico sempre de pé atrás com as generalizações tb. Além de tudo, acho feio.
    Bão…cada um pensa o que quer, diz o que quer e vamos em frente. Adoro muitas opiniões ao mesmo tempo e no mesmo lugar. Só por isso já vale fazer uma “ola” á web!
    beijocas mís

  2. Bela Caleidoscópica é audiência qualificada para o blog. Vamos lá.
    Eu lancei essas pulgas e maribondos justamente porque é uma visão de academia sobre a coisa toda. Eu acho que a última palavra não é da Academia. Pra mim, é o contrário: sem que a sociedade se movimente, os objetos de estudo somem todos. Então, o que podemos aproveitar daí? Bom, eu gosto muito que a narrativa não tenha mais o monopólio do narrador literário apenas. Mas diante dessa avalanche toda de narrativas, onde caralhos se esconde ou se encaixa a literatura? Eu gosto de aproveitar o gancho pro maribondo não vir zumbir só no meu ouvido. Mas o mais legal é se a gente pensar se essas discussões são realmente relevantes – assim como a literatura deve se perguntar, depois do artigo do Pécora, se é relevante ou não. haha.

  3. Queridão, eu assisti um dos meus ídolos literários vivos, o Eduardo Galeano, dizer que não se arvora em dizer que é um “artista’ (WOW!!!) e que a arte não é a salvação de coisa alguma (WOW2!!!). Mas que ela melhora muito a vida da gente…Isso a gente não pode negar. Eu acho válidas todas as discussões, sobretudo as que acrescentam sem diminuir ninguém. O artigo do Pécora é ótimo pelo ninho de marimbondos que levanta, sim! ;) E todas as formas artísticas de expressão são relevantes. Até as não artísticas… e vamo parar por aqui senão a gente cai na usual discussão do que é arte, né? kkkkkkk
    bandibeijos

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