Financie (cultura) você mesmo

foto: divulgação - grupo Laugi

Precisam escritores serem assalariados de um grande grupo de comunicação ou contratados de uma editora para serem consumidos por seus leitores? O questionamento é do Gabito Nunes, escritor expoente de uma safra literária que surge a partir da internet. Autor do blog Caras como Eu e do livro A manhã seguinte sempre chega, o que Gabito propõe ao leitor dele é uma releitura do mecenato.

Ao publicar os textos dele na internet – onde começou a carreira literária escrevendo “romances em conteúdo expresso” – ele propõe ao leitor: “se gostou, pague-me um café”, abrindo um canal do PagSeguro e o público fica livre para pagar se quiser, o quanto quiser. Lançado recentemente, “A manhã seguinte sempre chega” é vendido no mesmo esquema.

Este é só um exemplo de atitude que pipoca na internet a todo tempo para dar alternativas plausíveis aos métodos tradicionais de financiamento da cultura.

Bom, ainda vou me abster de comentar a polêmica envolvendo Bethânia e seu blog de R$1,3 milhão, mas o que parece ser consenso entre aqueles que querem (e precisam de) grana pra sobreviver no meio artístico é que esses mecanismos disponíveis não dão conta da demanda da produção cultural atual (veja bem: não estou me referindo ao consumo de cultura).

Aqui em Brasília, está rolando uma iniciativa que vai nessa linha, e outra aconteceu às vésperas do carnaval. A de agora é o financiamento do show Nosso Jeito, do grupo Laugi. É o público que vai permitir a concretização da apresentação, marcada para 21 e 22 de maio. O desafio da companhia é convencer amigos, fãs, curiosos, a doarem (juntos) pelo menos R$5 mil até um dia antes do evento. O valor total da produção é de R$10 mil, mas com a metade, o espetáculo é viabilizado.

Quem se interessar, pode doar de R$10 a R$5 mil. Em troca, ganha de um e-mail de agradecimento à reverências, menções honrosas, homenagens, quase a alma dos artistas do Laugi. Pra participar, basta entrar no perfil deles no Produrama – uma espécie de site de compras coletivas às avessas, facilitando essa idéia de “mecenato espontâneo”. Informações, aqui.

Outra iniciativa bacana é o projeto Eu Faço Cultura. Contemplada pela Lei de Incentivo à Cultura (a Lei Rouanet, 8.313/91), a ação envolve os funcionários da Caixa, cujos valores doados são abatidos do Imposto de Renda de Pessoa Física. Yes, isso é possível. Hoje mesmo, por esse projeto, vai rolar um show do Roupa Nova em Ribeirão Preto. A caravana, quando passou por Brasília em novembro do ano passado, trouxe Falamansa.

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