Desonerar Cds: um desafio

foto: Diogo Madeira, no Flickr

Akemi Nitahara

Na terceira matéria que discute os rumos da indústria fonográfica, vamos conhecer um mecanismo que pode baixar o preço da música no Brasil: a PEC da música.

A venda de Cds no Brasil caiu 70 % nos últimos 10 anos. Um dos motivos é o fato de as pessoas acessarrem cada vez mais a música pela internet, como faz o jovem Kiaro Trindade.

“É muito caro, você dar R$20, 30, num CD, e você gosta de outra banda, aí vai mais 20, 30 reais. Então é complicado, na minha opinião, a pessoa vai lá e acaba baixando, pagando lá dois, três reais numa música, ou mesmo consegue até de graça, na internet, ouvindo ali, pelo site deles”, diz.

No Brasil, o preço de uma música pela internet é, em média, de R$1,99. Se o consumidor comprar todas as faixas de um disco, sai quase o preço de um CD físico, e sem o encarte.

No exterior, em sites como o http://www.legalsounds.com, é possível comprar música pela internet a US$0,09, ou seja, com R$2, você compra todas as faixas de um CD. Inclusive músicas brasileiras.

O diretor da ABPD, Associação Brasileira de Produtores de Disco, Eduardo Rajo, culpa a pirataria e os impostos pelo alto preço dos produtos fonográficos no Brasil. “É claro que a carga tributária é bastante grande, talvez seja um dos maiores responsáveis aí pela diferença de preço tão grande entre aquele produto pirata que é oferecido na rua por R$5 e um produto original que é oferecido entre R$15 e R$22. A gente entende que o preço do produto original tem que se aproximar o máximo possível do preço do produto pirata. É claro que não existe mágica e ele nunca vai ser igual, porque o produto pirata não paga ninguém, só aquela midiazinha virgem que custa centavos”, afirma Rajo.

Uma solução para esse problema seria reduzir os impostos. Para isso, tramita no Congresso Nacional a PEC 98/07, conhecida como PEC da Música. O Secretário de Políticas Culturais do Ministério, Alfredo Manevy, explica que a PEC iguala os produtos musicais brasileiros aos livros, que são imunes a impostos.

“É uma PEC que desonera a confecção de Cds. É importante pra gente ajudar a música brasileira a sair dessa crise econômica, que certamente vai ter nessa PEC uma importante ajuda, mas também deverá ter ajuda em novos modelos de negócio, na internet, na conveniência digital, que precisa de novos modelos de comercialização para que a música brasileira encontre público em novos segmentos comerciais que vão dar sustentabilidade à música brasileira”.

O diretor da ABPD complementa que a PEC beneficia todos os tipos de mídia. “Sem dúvida a PEC da Música é um instrumento fundamental, ela equipara a música ao livro, imunizando os produtos musicais, tanto físicos, né, o CD, DVD, quanto os produtos musicais digitais, os arquivos que você pode comprar via internet, via aparelhos celulares, todos os produtos ficam sem incidência de imposto, o que vai proporcionar uma redução no preço de venda dos produtos e uma oferta de música a um preço ainda mais convidativo”.

Além da esperança de baixar impostos para diminuir o preço dos produtos fonográficos, outros caminhos são trilhados pela indústria. A gravadora Trama oferece gratuitamente seus discos lançados pela internet, no projeto Álbum Virtual.

O presidente do selo, João Marcelo Bôscoli, garante que, até o fim do ano, serão 500 álbuns disponíveis para os internautas: “os 105 discos são praticamente todo o catálogo da Trama. Os discos do Tom Zé, Max de Gastro,  do Rappin’Hood, do César Camargo Mariano, do Ed Motta, do Baden Powel. Aí depois ainda tem os novos, que a gente tá lançando agora, vai ter o Pata de Elefante, vai ter o Quisado, Caju e Castanha. Aí tem outros catálogos que estamos negociando também, com outras empresas independentes. E aí vai, a nossa meta é chegar até o final do ano com 500 discos de graça pra todo mundo”.

Bôscoli lembra que nesse modelo de negócio, o consumidor obtém o produto de graça, mas o artista é remunerado por meio de patrocínio, como ocorre na televisão, jornais revistas e rádios em geral.

Leia aqui as outras duas matérias deste especial sobre os rumos da Indústria Fonográfica no Brasil

Na última matéria da série que discute os rumos da indústria fonográfica, você fica sabendo como anda uma mídia que muitos consideram peça de museu: o disco de vinil.

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