Simplesmente complicado – e apaixonante

Rafania Almeida

foto: divulgação

Me apaixonei por Alec Baldwin quando tinha apenas 7 anos de idade, em 1991. Foi a primeira vez que vi Beetlejuice, ou no Brasil “Os fantasmas se divertem”. Tudo bem. Foi quando também me apaixonei por Michael Keaton , Geena Davis (meu amor por ela parou por aí), Winona Ryder e pelas loucuras de Tim Burton . Mas eles não são o mais importante aqui. Baldwin vivia o desajeitado arquiteto casado com Barbara (Davis), o casal falecido do filme. Ele era tão bobinho e secundário perto de Keaton que tornou-se apaixonante. Nem de longe Baldwin lembrava o canastrão Jake, vivido por ele, agora, em Simplesmente Complicado (It’s complicated). Na película, ele é o ex-marido da diva Meryl Streep. Impossível ela ser secundária no filme, mas aqui resolvi deixá-la para depois, devido à magnitude de sua interpretação. Mesmo sendo aquilo que nenhuma esposa gostaria de ter, saí ainda mais apaixonada por Baldwin do cinema.

Simplesmente Complicado tinha tudo para ser um drama da mãe de família que foi trocada por uma jovem gostosa (com cara de brasileira), interpretada pela belíssima Lake Bell. Mas não. É uma comédia deliciosa sobre como seguir em frente. Focado obviamente em Jane (Meryl Streep), o filme mostra como ela aprende a superar o divórcio apenas dez anos após separação: tornando-se amante do ex-marido. A química de Streep com Baldwin é apaixonante. Ela, a mulher perfeita, centrada, excelente cozinheira, super-mãe, é o extremo oposto de Baldwin, o homem que abandonou a família por uma aventura. Mas no decorrer do filme, Jake fica tão cativante que as mulheres começam a sentir pena dele e até a esperar que o doce e irreverente casal termine junto. Só não contavam com a astúcia de Steve Martin. Ao contrário de Baldwin, ele continua com a mesma cara de todos os filmes que já fez na vida, mas seu personagem, o arquiteto Adam (ironia ou não com o papel de Baldwin em Beetlejuice?) é diferente. Engraçado como todos os seus personagens, Martin vem no filme com o bônus de ainda ser solitário, carente, simpático, inteligente, romântico, secundário, porém surpreendente.

Não dá para falar muito para não contar o filme inteiro, repleto de cenas hilárias, tiradas impagáveis de Baldwin no melhor estilo 30 Rock (que lhe rendeu merecidíssimos prêmios). Afiado e egocêntico, Jake é um personagem impossível de odiar, pois é ele quem desperta os melhores sentimentos e reações de Streep.

Meryl Streep ganhou sua 16ª indicação ao Oscar com Jane. Aos 61 anos, continua linda, imponente, chique, ainda que com todas as fragilidades de sua personagem: todo mundo se percebe, se encontra e se identifica com Jane. Não precisa ser mãe de família para isso. Todo mundo já sentiu seu mundo cair um dia e o viu se reerguer (ou não) das formas mais surpreendentes possíveis. A química entre Streep e Martin não é tão forte quanto a dela com Baldwin, mas rende de uma forma cômica e fofa. Isso se dá especialmente com o uso de entorpecentes, umas das melhores cenas do filme.

Por último, cito também a participação marcante de John Kracinski como Harley, o genro de Jane. Cativante, ele consegue roubar cenas com seu personagem, como parceiro, ou melhor, comparsa de Jane (sonho de toda sogra).

Acho que já falei demais, mas não o suficiente sobre o filme. Faça ainda melhor:  vá, veja e apaixone-se também, livre de toda e qualquer estética cinéfila obrigatória. Deixe-se apenas levar pela história que caberia a qualquer lar, a qualquer mulher que se permita.

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7 pensamentos sobre “Simplesmente complicado – e apaixonante

  1. Se você tinha 7 anos em 1991, hoje você tem entre 25 e 26 anos e escreve muito bem… Foram as únicas conclusões que pude tirar até agora… Mas vou ver o filme hoje a noite (graças ao texto), e amanhã escrevo mais… Valeu… Aí eu valorizei!!!

  2. Com textos assim, vou acabar pobre de tanto ir ao cinema!! Deu muita vontade de ver o filme!
    Obrigada pela dica!

  3. Boa dica, dá vontade de assistir, o texto mostra que o filme tem os ingredientes de uma ótima matinê com pipoca e namorada de lado… só não cola essa histórinha de paixões platônicas por coadjuvantes de filmes. Mas vai entender as mulheres que analisam filmes…

  4. Pronto, assisti ao filme. Ele é muito… bunitinhuuuu!!! Mas o Harley é muito chato… Gostei mesmo foi do Pedro, moleque batuta aquele!!! O Adam é fera tb!!! Valeu demais pela dica!!!

  5. Pingback: Retomando os “blockbusters” de sempre… « Drops Culturais

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