Listras escondem segredos de pijamas

Livraria Cultura

O menino do pijama listrado. Imagem: Livraria Cultura

Provavelmente foi Augusto Pacheco Calil quem escreveu a orelha de “O menino do pijama listrado”. Ele foi o tradutor da obra do irlandês John Boyne, que já vendeu mais de 350 mil exemplares pelo mundo. Em geral, a orelha serve de aperitivo para a obra. É como se fosse a exposição da comida que será devorada em seguida: ao vê-la, automaticamente as papilas gustativas entram em ação. Neste caso, Calil tentou se isentar: “é muito difícil descrever a história de O menino… Normalmente, o texto de orelha traz alguma dica sobre o livro, mas nesse caso, isso poderia prejudicar sua leitura”. Foi mal, Calil. Você atingiu o objetivo da orelha: me deixou tão curioso que três dias foram suficientes para detonar as 186 páginas com bom espaço para o dedo e espaçamento entre-linhas de 1,5.

Não farei o mesmo com o leitor deste blog, contudo. Embora concorde que vai ser tarefa árdua tentar não passar nada que estrague nele a vontade de ler o livro. Sabe o que é o pior? Foi exatamente como conta a orelha que soube da obra: um amigo de trabalho, que gosta muito de ler, indicou-me sem dar um detalhezinho sequer. Estou enrolando? Vamos lá…

Imagine vivenciar uma história no holocausto sob um ângulo jamais abordado: o de Bruno, um garoto de nove anos. Sem clichê. Não se trata de nenhuma criança judia contando como foi sua morte. O USA Today publicou que a obra “pode se tornar uma introdução tão memorável ao tema como O diário de Anne Frank foi em sua época”. Mas não, é melhor que isso: ele pode servir como introdução à própria leitura de O Diário – quem não sabe, trata-se do diário (real) de uma menina judia, que morava na Holanda e, durante a 2ª Guerra Mundial, teve, com sua família, que se esconder para fugir do holocausto.

Ambos conservam uma angústia em comum: em O Menino, é como se o próprio Bruno o tivesse escrito. Em O diário, é a própria Anne quem escreve. E é angustiante ler o que escrevem um menino de 9 anos e uma menina de 12. Dá uma enorme vontade de encher a mão e meter um mega tapão na nuca de ambos, acompanhado de um “cala a bouca”… Crianças, pequenas ou grandes, são petulantes de vez em quando, né? Bom, continuo enrolando, né?

Pois é, mas nem vai dar pra continuar. Do contrário, você, nobre leitor, é quem terá vontade de meter-me um tapão na nuca. Vou estragar tudo, e como vale muito a pena ler, não farei nada disso. Se mesmo assim insistir em ler algo mais detalhado sobre o livro, posicione a seta do mouse aqui e em seguida clique, que você terá um artigo do (ótimo) site Digestivo Cultural. Mas eu não recomendo que faça isso consigo. Ao invés disso, vá direto à fonte. Disponha de R$20 a R$30 e deguste-o. Aqui, uma tabela de preços. Até mais.

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