Nos poços

Primeiro você cai num poço. Mas não é ruim cair assim num poço de repente? No começo é. Mas você logo começa a curtir as pedras do poço. O limo do poço. A umidade do poço. A água do poço. A terra do poço. O cheiro do poço. O poço do poço. Mas não é ruim a gente ir entrando nos poços dos poços sem fim? A gente não sente medo? A gente sente um pouco de medo mas não dói. A gente não morre? A gente morre um pouco em cada poço. E não dói? Morrer não dói. Morrer é entrar noutra. E depois: no fundo do poço do poço do poço do poço você vai descobrir quê.

Caio Fernando Abreu
O Ovo apunhalado, Porto Alegre: L&PM,2001.

Em pleno clima de Cena Contemporânea, fica a reflexão: o que é o seu poço?

Caro consumidor de drops: desculpe-nos a inatividade dos últimos dias. Sobre mim, abateu-se a exclusão digital, já que fiquei alguns dias afastado do trabalho (folgas!) e, em casa, até este momento, não tinha acesso a internet. Problema resolvido, aguarde nossas vacinas sobre o festival Cena Contemporânea, que está chegando ao fim. Várias vacinas vêm aí!

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