Velhos chiados românticos e uma saudade


Eduardo, 16 anos. Mônica, uns 23 – formanda de medicina. Um casal estranho, nada normal. Nada mesmo, cuja história foi imortalizada na voz do “trovador solitário” Renato Russo. História que quase todo mundo conhece. Se não conhece, é melhor clicar aqui antes de continuar lendo, porque não vai entender nada…

Eu sempre achei mal-contada a relação desses dois. Tipo: eles voltaram pra Brasília, diz Renato, sem explicar quando é que eles saíram. Em outra parte, eles de repente constróem uma casa – sem uma prévia, uma juntada de panos, um ensaiozinho sequer. Nada. Outra mudança brusca no enredo: como assim, eles se conhecem, não tem nada em comum, mas pouco depois constróem uma casa. Uai, nem casaram, não?

Dúvidas desfeitas. O CD “Trovador Solitário”, lançado ontem, em Brasília, esclarece tudo isso. Antes de “construíram uma casa uns 2 anos atrás”, a música original dizia “alugaram apartamento uns dois anos…”. E a parte ocultada da história daquele casal – o casamento – é revelada no disco, que reúne gravações caseiras de Russo, no período entre Aborto e Legião.

É claro que não vou contar nada sobre como foi o casamento, vou deixar pra você ouvir. E olha que não recebo lhufas por fazer essa propaganda. É que esta é a novidade póstuma mais emocionante do cara. Chega de lançarmos CD’s com gravações de shows da Legião, né? Afinal, ainda há um puta material do trovador por aí… Vamos descobrindo ele, gente!

Muito legal também é ouvir Geração Coca-Cola nem um pouco rock’n roll. Aliás, nenhuma música do CD é do gênero. Talvez o Renato queria dar um tempo do rock pra poder se abastecer e ressurgir, só que no cenário nacional, como o astro do rock que queria ser e que seria, de fato. Ouvir o disco dá a mesma impressão de ouvir uma fita demo, daquelas que você gravava do amigo, que regravava do amigo. Qualidade de som pra quê, nessas condições? É uma preciosidade que vem agora à público. Do caralho.

Quanto ao lançamento do CD (ontem, na Fnac), que contou com a presença de dona Carminha e Giuliano (mãe e filho do Renato), e do Marcelo Fróes – que produziu o material – contamos depois. Eu e Camila.

Mas vai aqui um pequeno drop: o dono do Cafofo, um boteco no porão do comércio da 407 Norte, onde começaram as apresentações do Aborto, estava na platéia. Ele perguntou à d. Carminha se ela tinha ouvido falar sobre o bar, e ela disse que não. Pois é. O encarte do CD tem uma prova de que o boteco existiu e que Renato o freqüentava: uma folha datilografada de uma apresentação da banda por lá. E com data: 18 de outubro de 1980.

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Um pensamento sobre “Velhos chiados românticos e uma saudade

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