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Via crucis pela liberdade de expressão

Arrepio… Foi o que senti quando terminei de assistir o documentário. Irreverente, inteligente, sarcástico, divertido, pertinente, enfim… Foram vários os adjetivos que consegui apontar para classificá-lo durante os 80 minutos de duração. A atriz, apresentadora, diretora e roteirista é uma pessoa só: Sabina Guzzanti… Meu Deus!!!!! A verdade é que ela é muito boa! Por favor, caro leitor, não leve pelo lado pejorativo: quis dizer que ela é uma excelente profissional e que fez um puta filme.
Com certeza você deve ter visto em algum dia da sua vida o Casseta e Planeta – isso mesmo, o programa global que passa às terças-feiras. Em alguns quadros, ele imita a atuação de políticos brasileiros. O documentário Viva Zapatero! tem o roteiro baseado na luta pela liberdade de expressão, referindo-se à censura ao programa Raiot, que foi proibido de ir ao ar de cara, após o primeiro episódio. O perfil dele é igual ao quadro do Casseta e Planeta: imitar políticos, com suas ações, gestos, forma de falar e de se articular.

O Raiot foi transmitido na tv pública da Itália, a RAI, em 2003. Os políticos não gostaram nada da atuação da apresentadora e humorista Sabina Guzzanti. Eles entenderam aquilo como ofensa e, logo depois do primeiro episódio, o Raiot sofreu um inacreditável processo judicial por “mentiras e insinuações”.

Quem assistiu, irá concordar comigo: no início do filme, a primeira impressão que tive foi de ter visto um homem invocado, resmunguento, baixo e calvo. Mas não passava de peruca e maquiagem, essas coisas que a produção da Globo é craque no humorístico daqui. Era a comediante Sabina Guzzanti imitando o primeiro-ministro Silvio Berlusconi.
Berlusconi, que na ocasião exercia seu segundo mandato, foi o principal impositor da censura à sociedade italiana, por meio dos veículos de comunicação pública. Entretanto, o primeiro programa foi suficiente para atingir altos índices de audiência. Foi suficiente para que a comediante fosse à luta, protestar em suas peças teatrais contra a censura e mobilizar a população, até que veio a idéia de produzir o filme.
Sabina Guzzanti busca explicações dos responsáveis pela medida tomada, mas muitos deles evitam fazer qualquer tipo de comentário. Persistente, a humorista apresentou provas contundentes no processo judicial, que acabou considerado inconstitucional.
Após isso, Guzzanti resolve mais uma vez ir a público, porém no teatro, para dar continuidade ao trabalho e a população responde em massa. Tente imaginar uma multidão de pessoas no Mineirão, assistindo a uma final entre Atlético Mineiro e Cruzeiro. Foi o que aconteceu. Filas quilométricas, pessoas pulando o portão para tentar um bom lugar… Não deu outra: como o teatro não comportava mais a quantidade de pessoas, foi preciso improvisar com telões do lado de fora.
Você deve estar se perguntando: mas porque Viva Zapatero!? É uma referência a José Luis Rodríguez Zapatero, paradigma da liberdade de expressão na televisão espanhola.

Esse filme, caro leitor, merece ser visto por sua qualidade e principalmente pela questão a que se trata. Lembrando que é um documentário obrigatório para qualquer jornalista. Quem não teve a oportundade de assitir, pode degustar o trailer. Ele saiu de cartaz das salas de Brasília ontem…

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