São João: um pouco de tradição

Quando se trabalha numa agência de notícias, não se sossega: você chega numa cobertura de escopo tão amplo como a do São João de Campina Grande (PB), e, pra dar conta do recado, tem que se virar em 30 para cobrir tudo. Absolutamente tudo. Quando cheguei ao hotel, dia 19 de junho, já tinha uma boa história para publicar, mas em agência não vale só a qualidade. A quantidade é tão importante quanto, afinal, qual o sentido de existir uma agência de notícias que não produza notícias o tempo todo? A pilha não parava de funcionar… Marquei então com o coordenador de Cultura do município, Alexandre Tan, às 19h45, num local onde haveria uma gravação de programa de TV.

Marquei também, para cerca de 20h15 (os horários quebrados eram para me adequar às agendas das fontes), com o Gustavo Lucena, coordenador da Casa de São João – um espaço da festa destinado a manter viva a tradição das festas juninas, organizada por uma comunidade católica. O primeiro demorou nada mais, nada menos, que uma hora para chegar! Aliás, depois tive tempo o suficiente para entender que o paraibano funciona em um ritmo totalmente diferente do meu, de modo que pûde admirar isso no fim das contas.

O papo com o Tan foi produtivo, mas reportagem precisa de recheio. E isso, na maioria das vezes, significa números. Ele não sabia passar, era com o coordenador de Turismo de Campina que eu conseguiria. Grosso modo, estavam referendadas, na minha cabeça, pelo menos duas matérias até agora…

Daí cheguei [mega atrasado] na tal Casa de São João. Senti vontade de falar sobre ela no papo com a Luanda, mais cedo, quando ela me falou que tinha uma casinha, no meio do Parque do Povo, em que contavam a história dos santos… No meio de toda aquela modernidade que quase em nada lembra as festas juninas de antigamente, achei que valia a pena escrever uma matéria sobre pessoas que se dedicam a fazer um resgate da religiosidade popular, na festa.

Ao chegar, os hits católicos relidos por forró. Como eu sou católico e tive minha fase beato-carola-papa-hóstia, conhecia um bocado delas. Encontrei o Gustavo, que devia estar sentindo a mesma angústia que senti enquanto o Tan não chegava para a entrevista anterior. Conversamos um pouco, liguei o gravador e bastou uma pergunta. Gustavo disparou a falar, de modo que não precisei perguntar mais nada. Foi um verdadeiro depoimento…

A casa é realmente o único lugar em que ainda é servida a comida tradicional de São João em todo o Parque do Povo. O organizador da Casa mandou que “até yakisoba você encontra por aqui”, e era verdade – fui constatar. Tinha pizza também. Uma pena que não fiz a matéria de culinária que queria ter feito. O Tan falou pro UOL que a variedade gastronômica visava atender aos desejos dos turistas, mas a essência da festa permanecia. Cabe aqui a indagação: quando o cara sai de sua cidade pra ir num tal de maior São João do mundo, será que não está procurando também uma comidinha junina?

“Apurar de dia, escrever de noite”. Esse foi o lema que adotei e a orientação que passei ao fotógrafo, que seguiu o curso e resolveu mandar as fotos à noite também. Iria me arrepender logo mais, quando chegasse ao hotel, e só fosse dormir tarde da noite… Até porque, naquele primeiro dia, tinha três matérias. – Rick, traz a Coca[-Cola]? O Rick era o bartender do hotel, que permitia que eu fumasse no hall. Lá se deu o início das quase 45 latas de Coca que eu tomaria nos dias subsequentes…

Agora leia a minha matéria sobre a Casa de São João!


* Precisa falar que as fotos são do Roosewelt Pinheiro? Lá em cima, Alexandre Tan. Aqui do lado, Gustavo Lucena.

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Um pensamento sobre “São João: um pouco de tradição

  1. Assim como em qualquer data comemorativa, a verdadeira história fica velado por delicias culinárias, bebidas e músicas do momento. Acho mega interessante este resgate religioso e contar a histórias dos Santos e voltar à uma festa junina que não se encontra mais. Me bateu curiosidade e o dedo já coça pra bater ponto no google e saber mais sobre o assunto.

    Murisco, parabéns!
    Ah! Esqueci de falar que li uma matéria sua no Jornal do Tocantins (pegaram a matéria da agência)
    Vc tem msn? Sei q seu tempo é escasso, mas podemos trocar idéias
    gracigf@hotmail.com

    Bjão

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